Taliban raptam repórter no início da maior operação da NATO

Ofensiva da Primavera visa combater rebeldes e senhores da droga em Helmand, no Sul afegão

Mastrogiacomo já trabalhou várias vezes no Afeganistão; o jornal La Reppublica não contacta com ele desde domingo a A missão da NATO no Afeganistão lançou ontem a maior ofensiva contra os taliban desde que estes foram derrubados do poder, no fim de 2001: a Operação Aquiles, que envolverá 4500 forças da Aliança e 1000 soldados afegãos, tem como alvo Helmand, a província do Sul que se tornou no principal centro de produção de ópio do país. Horas depois do arranque, os taliban anunciaram o rapto de dois afegãos e um enviado do diário La Repubblica.
O primeiro dia da Operação Aquiles terminou com pelo menos uma baixa para a ISAF (Força Internacional de Segurança e Assistência) - um britânico, morto junto à barragem de Kajaki quando a sua unidade ficou sob fogo. A necessidade de reparar e expandir a central hidroeléctrica de Kajaki joga um papel importante nesta ofensiva.
"Isto é o início de um plano para trazer segurança ao Norte de Helmand e lançar as condições para um desenvolvimento que irá melhorar a qualidade de vida dos afegãos", afirmou aos jornalistas em Cabul o porta-voz da ISAF, general Ton van Loon.
Citado nos sites dos jornais italianos, o porta-voz taliban Qari Mohammad Yousuf disse que o jornalista confessara ser um espião, depois de ter sido capturado em Helmand. "Ele fingia ser um jornalista, mas descobrimos que trabalhava para as forças britânicas." Na reivindicação inicial, os taliban disseram ter capturado um britânico.
Durante a tarde, o jornal La Repubblica confirmou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Roma perdeu o rasto de Daniele Mastrogiacomo.
A notícia do rapto apanhou Itália com os jornais já repletos de títulos sobre o Afeganistão, centrados na morte de civis, domingo e segunda-feira, em ataques dos EUA e na NATO: "Massacre de afegãos. A Itália está perturbada", escrevia o Corriera della Sera; "D"Alema critica EUA", disse Il Messaggero. Na véspera, à margem de uma reunião da NATO, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Massimo D"Alema, alertou: "Se a população se torna hostil, teremos um desastre."
A Itália tem 1900 soldados na ISAF: hoje está previsto o voto de refinanciamento da missão na Câmara dos Deputados, ficando a faltar a aprovação no Senado. Foi precisamente a missão no Afeganistão, à qual se opõem membros da coligação do Governo, que provocou a mais recente crise no país - o Senado chumbou uma moção à política D"Alema, precipitando a demissão do primeiro-ministro, Romano Prodi, entretanto reconduzido.