Morreu Manuel João Gomes, ex-crítico de teatro do PÚBLICO

O ex-crítico de teatro do PÚBLICO e tradutor Manuel João Gomes morreu ontem ao fim da tarde, em Coimbra, com uma broncopneumonia. Manuel João Gomes, que tinha Alzheimer, estava a viver perto de Viseu. A família ainda não tinha data para o velório e enterro. Crítico de teatro do PÚBLICO desde a sua fundação e durante cerca de uma década, empenhado na divulgação do teatro que se fazia pelo país, Manuel João Gomes foi ainda um tradutor reconhecido. Em 1988 recebeu o Prémio PEN Clube de tradução por A Vergonha, de Salman Rushdie, e chegou a ser vice-presidente da Associação Portuguesa de Tradutores. Fundador do Grupo de Teatro de Campolide, acabou por não seguir carreira no teatro. Casado com a poetisa Luiza Neto Jorge, com quem partilhou algumas traduções, Manuel João Gomes traduziu obras de escritores como Sade, Camus, Artaud, Prévert, Stendhal, Alfred Jarry, Henry David Thoreau, Joe Orton, Jean Cocteau, Tennessee Williams, Kafka, Henry James. Escreveu também Os Segredos da Jacinta (1982, Etc), Almanaque dos Espelhos Variações Narcísicas (Etc) ou Brinquedo Electrónico Essencial (Black Sun, 1985). Deixa um filho, Dinis Gomes, actor.

a tese

Orhan Pamuk pode ter-se exilado nos EUA

O diário espanhol El Mundo avançou ontem a hipótese de o Nobel da Literatura turco, Orhan Pamuk, estar exilado nos EUA. Depois de ter cancelado uma digressão promocional pela Alemanha e pela Bélgica por razões de segurança, o escritor viajou para Nova Iorque na passada quinta-feira. Discretamente, diz agora o El Mundo, Pamuk levantou 400 mil dólares e preparou-se para "uma larga temporada" nos EUA. Embora a presença do autor em território norte-americano não constitua novidade - Pamuk é professor da Universidade de Columbia, onde de resto recebeu a notícia do Nobel -, a tese dominante na Turquia é mesmo a do exílio. O Nobel turco é um alvo cada vez mais evidente dos ultranacionalistas turcos, que o acusam de denegrir a identidade do país com as suas denúncias do genocídio arménio e da guerra civil não declarada entre a Turquia e o Curdistão. A situação ter-se-á tornado insustentável no mês passado, após o assassinato do jornalista Hrant Dink. Ao que tudo indica, Pamuk terá mesmo cancelado a visita à Alemanha e à Bélgica depois de um dos suspeitos da morte de Dink, Yasin Hayal, ter gritado "Pamuk, sê inteligente. Tem cuidado" à porta do Tribunal de Istambul.