Filho do líder norte-coreano Kim Jong-il vive num hotel de cinco estrelas em Macau

Fruto da união entre o "Querido Líder" de Pyongyang e uma actriz norte-
-coreana, Kim Jong-nam terá perdido a oportunidade de suceder ao pai

Nem todos os norte-coreanos vivem como eremitas. Kim Jong-nam, filho de Kim Jong--il, prefere passar dias tranquilos em Macau do que estar no reino de seu pai, o "Sol eterno" de Pyongyang. Segundo o Hongkong South China Morning Post, Kim júnior, de 35 anos, estaria há três anos instalado na antiga colónia portuguesa. Teria estabelecido a família num palacete de uma pequena ilha, preferindo para si pró-
prio um hotel de cinco estrelas, os bons restaurantes e os casinos.
Apreciador de conhaque e de uísque, Kim Jong-nam teria também viajado muito nestes últimos anos, até Banguecoque e Pequim, utilizando um passaporte português (o que já foi desmentido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa) . Também se deslocou regularmente a Hongkong, a 40 quilómetros de Macau, mas depois foi impedido de aí entrar, na sequência do ensaio nuclear da Coreia do Norte, em Outubro do ano passado.
Em 2001 tinha sido expulso do Japão por lá ter entrado com um passaporte falso da República Dominicana, explicando que pretendia visitar a Disneylândia de Tóquio.
Kim Jong-nam, nascido da união do "Querido Líder" com uma actriz norte-coreana, não é o único laço entre Macau e a Coreia do Norte. Em 2005, os Estados Unidos ordenaram o congelamento de 24 milhões de dólares (18,5 milhões de euros) que se encontravam nas contas da Coreia do Norte no Banco Delta Ásia de Macau, suspeito de branquear falsos dólares americanos e dinheiro da droga. O contencioso po-
derá ser abordado durante as conversações a seis sobre o desarmamento nuclear da Coreia do Norte, que devem ser reatadas em Pequim no dia 8 de Fevereiro. As autoridades de Macau, que, segundo diplomatas ocidentais, se en-
contram embaraçadas pelo as-
sunto, não confirmaram a presença de Kim no território. A imprensa japonesa e sul-coreana interrogou-se sobre o seu possível regresso a casa no dia 16 de Fevereiro, quando Pyongyang deve celebrar os 65 anos do seu líder.
A sucessão de Kim Jong-il é objecto de numerosos cálculos. O seu filho mais velho, educado nas melhores escolas de Genebra e de Moscovo, depois do que passou a integrar os serviços de segurança pública norte-coreanos, segundo crê o South China Morning Post, é desde há muito o favorito. Mas teria perdido as graças paternas aquando do caso do falso passaporte com que se apresentou no Japão. Um dos seus irmãos que estão na casa dos 20 anos, filhos de Kim Jong-il e de uma bailarina norte-coreana, poderia arrebatar-lhe o trono. Se a dinastia comunista de Pyongyang perdurar o tempo necessário para conseguir um terceiro dirigente da mes-
ma linhagem. Exclusivo PÚBLICO/ Libération