Adaptações de obras Camilo Castelo-Branco ao cinema inciam ciclo

Cinemateca mostra adaptações de obras de escritores portugueses

Entre as exibições de Janeiro está a versão para cinema de "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, de1978
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Entre as exibições de Janeiro está a versão para cinema de "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, de1978 DR (arquivo)

Camilo Castelo-Branco é o primeiro escritor português escolhido pela Cinemateca para abrir, no próximo dia 4, um ciclo dedicado a adaptações literárias ao cinema e que se prolongará por 2007.

Depois dos directores de fotografia e dos músicos, a Cinemateca programa um novo ciclo de cinema, desta vez dedicado a escritores portugueses cujas obras tenham sido adaptadas para o grande ecrã.

Em Janeiro serão exibidos, de forma cronológica, cinco filmes adaptados a partir de obras de Camilo Castelo-Branco, predominando o clássico "Amor de Perdição". A história de amor entre Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, a mais conhecida obra do escritor português, pode ser vista pela perspectiva de três realizadores diferentes.

O ciclo começa com a primeira adaptação, ainda em cinema mudo, do romance de Camilo Castelo-Branco em "Amor de Perdição" (1921), de Georges Pallu, realizador francês que rodou vários filmes em Portugal através da produtora Invicta Film.

No dia 19, será a vez da versão de António Lopes Ribeiro, de 1943, que conta com interpretações de nomes como António Vilar e Carmen Dolores. Manoel de Oliveira rodou na década de 1970 duas versões do romance, uma televisiva e outra cinematográfica, e é o cineasta que mais respeita o texto original no grande ecrã. Com mais de duas horas de duração, o "Amor de Perdição" do decano realizador passa no dia 22.

No dia seguinte é exibido "Francisca" (1981), também de Manoel de Oliveira, a partir do romance "Fanny Owen", de Agustina Bessa-Luís, baseado em factos verídicos ocorridos no Porto no século XIX e do qual fazia parte Camilo Castelo-Branco (no filme interpretado por Mário Barroso).

Os últimos dias do escritor português, retratados a partir da correspondência do autor, fazem "Os dias do desespero", filme de Oliveira de 1992, que encerra o ciclo.

Fevereiro deverá preenchido com adaptações de obras de Eça de Queirós.

A história do cinema português está recheada de adaptações literárias ao cinema, desde José Cardoso Pires a Júlio Dinis.

José Fonseca e Costa adaptou em 1987 "Balada da Praia dos Cães", enquanto Fernando Lopes estreou em 2002 "O Delfim", ambos de José Cardoso Pires.

"As pupilas do senhor reitor" e "Os fidalgos da casa mourisca", de Júlio Dinis, estão também entre os mas adaptados, por realizadores como Georges Pallu, Maurice Mauriad, Leitão de Barros, Perdigão Queiroga ou Arthur Duarte.

Luís Filipe Rocha adaptou "Cerromaior" (1980), a partir de uma novela de Manuela da Fonseca, José Fonseca e Costa rodou "Sem sombra de pecado" (1983) p artindo do texto "Aos costumes nada disse", de David Mourão-Ferreira.

"Vale Abraão" (1993), de Manoel de Oliveira a partir de uma obra de Agustina Bessa-Luís, ou "Uma abelha na Chuva" (1971), de Fernando Lopes sob um romance de Carlos Oliveira engrossam a lista de adaptações ao cinema.

Mais recentemente, Leonel Vieira realizou "A Selva" (2002) a partir da obra homónima de Ferreira de Castro.