ROSALINA FONSECA Saber como os neurónios reagem a vários estímulos

Quando entrou para a Faculdade de Ciências de Lisboa, queria estudar Biologia para saber mais sobre os cetáceos, baleias e golfinhos. Depois mudou de rumo. Interessou-se pelas neurociências e acabou por fazer o doutoramento nessa área, na Universidade Ludwig-Maximillian, na Alemanha. Rosalina Fonseca tem 29 anos, é investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência e quer agora estudar como os neurónios reagem a vários estímulos, o que poderá ajudar a perceber como o cérebro humano selecciona informação, ou até a compreender melhor doenças psiquiátricas como a esquizofrenia."Estou interessada em perceber como é que os neurónios integram informação proveniente de várias vias de entrada", começa por explicar Rosalina Fonseca. Essas vias de entrada encontram-se na zona dendrítica, uma vez que é aí que estão as dendrites, portas de entrada da informação nos neurónios. Depois, essa informação percorre a célula até ao axónio, a porta de saída que, por sua vez, está ligada à zona dendrítica do neurónio seguinte.
Rosalina Teixeira pretende usar dois eléctrodos para estimular neurónios no cérebro de ratinhos. Depois, irá avaliar as respostas da célula enquanto estimula os axónios que a ela vão desembocar. "É como se tivéssemos vários fios eléctricos e todos estivessem ligados a um telefone. Podemos definir os fios que vão activar a tecla 2 ou a 4, por exemplo."
Ao estimular dois grupos de axónios diferentes, mas que vão ligar-se ao mesmo neurónio, Rosalina Fonseca pretende saber como é que as duas estimulações vão interagir. Avaliará essa actividade através de um indicador químico inorgânico que ilumina, em tons de verde fluorescente, as zonas mais irrigadas por cálcio. "Sempre que as zonas estão mais activas há um maior nível de cálcio, e assim fica-se com o mapa das zonas onde há actividade."
A resposta electrofisiológica dos neurónios aos estímulos já é conhecida. "Mas não sabemos se existem alterações morfológicas nas dendrites associadas a essa alteração", explica.
Outra coisa que ainda não se sabe é se estas experiências terão resultados significativos. Mas a investigadora espera poder ajudar a responder a questões complexas relacionadas com a memorização. "Será que é mais fácil aprender dois números de telefone parecidos ao mesmo tempo?", pergunta. A questão não é simples, mas avaliar a interacção de vários estímulos nos neurónios, do ponto de vista morfológico e anatómico, poderá ajudar a encontrar uma resposta.

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