Kabila vence sem maioria eleições na RDC

Partidários do Chefe de Estado terão de negociar para formar Governo

A Aliança para a Maioria Presidencial (AMP), que apoia o Presidente Joseph Kabila, ganhou as eleições legislativas de 30 de Julho na República Democrática do Congo (RDC), mas sem maioria absoluta, anunciaram ontem as autoridades de Kinshasa.Dos 500 lugares existentes na Assembleia, o partido presidencial conseguiu 111 e o Movimento de Libertação do Congo (MLC), de Jean-Pierre Bemba, 64, indo os restantes para formações pequenas e independentes.
Kabila e Bemba deverão, entretanto, ir a uma segunda volta das presidenciais no fim de Outubro, se for reunido até lá o dinheiro para organizar o processo, depois de nenhum deles ter chegado a 50 por cento dos votos expressos na primeira ida às urnas (realizada no mesmo dia das legislativas).
"Segundo a lei eleitoral, o primeiro-ministro deve sair da maioria parlamentar. São agora inevitáveis alianças políticas para que isso aconteça", disse o porta-voz da Comissão Eleitoral Independente, Dieudonné Mirimo, citado pela Reuters.
A Aliança constituída entre o partido de Kabila e os seus parceiros já garantiu mais de 40 por cento dos lugares parlamentares, mas mesmo isso é pouco para se designar um primeiro-ministro que possa governar facilmente.
O MLC e os demais grupos da União dos Nacionalistas Congoleses (Renaco) totalizam mais de 100 lugares, havendo agora muitos independentes a ser atraídos por um e outro campo.
O porta-voz da AMP, Lambert Mende, afirmou à Reuters que este grupo já conta com 224 lugares, sendo necessárias mais três dezenas para poder aprovar um programa de Governo.
O Partido Lumumbista Unificado (Palu), de Antoine Gizenga, surgiu em terceiro lugar nas legislativas, com 34 lugares, sendo portanto um parceiro muito cobiçado.
As conversações entre a maioria presidencial e o campo de Bemba apresentam-se muito difíceis, sempre com o receio de que se possam verificar actos de violência antes da segunda volta, prevista para 29 de Outubro.
Em princípio, a Assembleia Nacional deveria reunir-se ainda este mês; e se nenhum dos blocos for capaz de propor um primeiro-ministro, o Presidente poderá nomear uma personalidade para encetar negociações com os partidos. "Poucos partidos estarão dispostos a escolher ficar na oposição, se tiverem a oportunidade de conseguir um lugar ministerial", considerou Jason Stearns, do Internacional Crisis Group.