CP acaba com Intercidades para Beja em benefício de Évora

Decisão ainda não foi confirmada oficialmente mas a mudança de trajecto Intercidades já está a ser preparada

A partir de Outubro, quando estiver terminada a modernização da linha Casa Branca - Évora, a CP vai estrear um serviço Intercidades com dois comboios diários em cada sentido entre aquela cidade e Lisboa. Mas para isso, terá de acabar com a actual ligação Lisboa-Beja porque as composições nela utilizadas serão transferidas para Évora. A capital do Baixo Alentejo passará, assim, a ser servida por um automotora que fará um serviço de "navette" entre Beja e Casa Branca, dando ligação ao Intercidades de Évora. Isto é, precisamente o contrário do que acontecia até Fevereiro deste ano em que eram os passageiros de Évora que tinham de mudar em Casa Branca porque o Intercidades ía para Beja.
Quando concluir as obras de modernização da linha de Évora (que no futuro integrará o eixo ferroviário Sines-Badajoz), a Refer vai deixar a linha preparada para velocidades de 120 Km/hora, em vez dos 40 Km/hora com que até então nela se circulava numa velha automotora. Isso vai permitir encurtar consideravelmente o tempo de viagem entre Lisboa e Évora podendo a viagem sobre carris realizar-se em pouco mais de uma hora e meia e fazendo com que o comboio passe a ser uma boa opção em termos de transporte público (os autocarros da Rede de Expressos demoram 1 hora e 45 minutos, embora haja uma frequência de um por hora).
Do ponto de vista da CP, trata-se de um acto de gestão racional: Évora tem o dobro da população de Beja, tem mais poder de compra e, devido ao movimento gerado pelos turistas e universidade, tem muito maior mobilidade do que Beja.
E perante a escassez de recursos - poucos comboios disponíveis - a solução foi desistir de Beja e escolher Évora. Oficialmente a CP ainda não o confirma - limita-se a informar que "a oferta ainda não está definida" -, mas o PÚBLICO sabe que a decisão de tirar o Intercidades a Beja já está tomada.
Para a capital do Baixo Alentejo vai ser a primeira vez que desaparecem as ligações directas a Lisboa ou ao Barreiro. Desde a chegada do caminho-de-ferro a Beja, em 15 de Fevereiro de 1864, sempre foi possível aos bejenses entrar num comboio na sua estação e fazer a viagem sem transbordos directamente até ao Barreiro ou, mais recentemente, até Lisboa (Entrecampos e Oriente). Agora não haverá nenhuma composição que a partir de Beja não vá mais longe do que a Casa Branca ou Pinhal Novo, ficando aquela cidade circunscrita a um serviço regional.
A existência de um transbordo é sempre um elemento dissuasor na escolha de um modo de transporte, particularmente numa população tendencialmente idosa como é o caso, e sobretudo no Inverno quando o frio e a chuva não convidam a sair da automotora e esperar no cais da estação por outro comboio. Por outro lado, o próprio tempo de percurso, que hoje é de 2 horas e 8 minutos entre Lisboa e Beja, será afectado em, pelo menos, mais 15 a 20 minutos.
Esta é a segunda "despromoção" de Beja na geografia ferroviária do país, este ano, depois da alteração do percurso do Comboio Azul (que liga aos fins-de-semana Faro ao Porto), que deixou de servir aquela estação por passar a circular pela linha do Sul e Lisboa.
Mais longe de Beja ficou também o Barreiro, a cidade que historicamente sempre foi a sua origem e destino nas ligações ferroviárias. Desde há dois anos que os comboios regionais alentejanos se quedam pelo Pinhal Novo, onde os passageiros são obrigados a mudar para outro comboio, apesar de a composição em que vieram seguir depois - vazia - para o Barreiro.