Escritora doa 82 obras que diz serem de Jack, o Estripador

Patricia Cornwell vai entregar ao Fogg Museum os seus trabalhos de Sickert

Patricia Cornwell, autora de policiais e do bestseller Jack, o Estripador - Retrato de um Assassino (Presença, 2003), continua a insistir na teoria de que o pintor Walter Sickert é, na verdade, o serial killer que aterrorizou o East End londrino no final do século XIX.A escritora norte-americana anunciou agora que vai doar ao Fogg Art Museum, da Universidade de Harvard, 82 obras deste artista que nasceu em Munique e foi viver para Inglaterra quando tinha apenas oito anos.
O conjunto de Sickert - 24 pinturas, 22 desenhos e 36 gravuras - faz parte da colecção de Cornwell e está em exposição no Fogg Museum, a título de empréstimo.
A escritora reuniu este acervo avaliado em milhões de euros enquanto preparava o livro em que conclui que Walter Richard Sickert, impressionista britânico influenciado por Whistler e Degas, é o brutal homicida que matou cinco prostitutas em Londres, em 1888. Em Jack, o Estripador - Retrato de um Assassino, Cornwell vai ainda mais longe, defendendo que o pintor vitoriano foi responsável por outras mortes em Camden Town.
"Quero que o público tenha acesso a eles", disse ao jornal Art Newspaper, referindo-se à doação. "Quero que estejam num museu onde a análise científica pode continuar."
Cornwell recorreu aos especialistas do centro de conservação do Fogg Museum para fazer as análises comparativas entre cartas atribuídas a Jack, O Estripador e os trabalhos do pintor. Os técnicos da universidade garantem que não chegaram ainda a quaisquer conclusões.
O conjunto de obras que será doado em data ainda a anunciar inclui um auto-retrato, Portrait of Thérese Lessore, Putana a Casa e Steps of Santa Maria Della Salute. Para Cornwell, Putana a Casa sugere uma imagem "semelhante às fotografias mortuárias de Chaterine Eddowes [morta pelo estripador]", com a mulher representada a exibir o mesmo tipo de mutilações no rosto que a vítima de Jack.
Em Grover"s Island from Richmond Hill, outro dos quadros prometidos ao Fogg, a autora norte-americana alerta para a comparação entre o nascer do sol pintado por Sickert e o da porta de um pub frequentado por Emily Dimmock, outra das prostitutas assassinadas.
Cornwell continua a dizer que não tem dúvidas de que Walter Sickert, para muitos o pintor britânico mais importante entre Turner e Bacon, é o estripador, apesar de alguns especialistas na obra do artista, com destaque para Matthew Sturgis (autor de uma biografia que saiu no ano passado) e Richard Shone (comissário da última grande exposição dedicada ao pintor, em 1992) considerarem a sua teoria "ridícula".
Sturgis e Shone estão entre os muitos especialistas que em 2001 acusaram Cornwell de cometer uma "monstruosa estupidez" ao fazer uma incisão numa tela de Sickert para recolher ADN para corroborar a sua tese. A romancista já prometeu para breve uma actualização de Retrato de um Assassino com recurso aos dados da pesquisa do Fogg Museum.