Campanha dura na corrida a reitor da Universidade do Minho

Guimarães Rodrigues, que se recandidata,
é fortemente fustigado por Moisés Martins, para quem há "défice democrático" na UM

Maio de 2006 tem sido um mês quente na academia minhota, por causa das eleições para a escolha do novo reitor da Universidade do Minho (UM), marcadas para o último dia do mês. Até lá, os professores catedráticos António Guimarães Rodrigues - que se recandidata a um segundo mandato - e Moisés de Lemos Martins - que lidera o Instituto de Ciências Sociais e foi apoiante do actual reitor há quatro anos - confrontam argumentos.A sua tarefa é convencer os quase 90 membros do colégio eleitoral da quarta maior academia do país - com mais de 17 mil elementos espalhados entre Braga e Guimarães. E a campanha está a ser das mais duras de sempre, em particular pelas fortes críticas formuladas pelo candidato da oposição, rebatidas pelo actual poder.
"A cultura autoritária e do medo imposta por esta reitoria, com o consequente défice democrático nos órgãos académicos, conduziu a uma falência pedagógica da universidade", denuncia ao PÚBLICO Moisés Martins, acrescentando que a UM actualmente está "triste, medrosa e de voz acorrentada". "O senado foi esvaziado em favor de um conselho estratégico [criado pelo reitor]. O conselho académico está inerte, com um arremedo de debate. E o conselho de escolas é uma mera caixa de ressonância da reitoria", sintetiza o também presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação.
Mas o candidato da ruptura vai ainda mais longe. Aludindo à criação de um gabinete que sistematiza a informação interna, Moisés Martins diz que existe na academia a sensação de que foi instalado um "big brother" que "tudo controla", além de que o debate foi "arredado" da Intranet, agora transformada em canal institucional.
Acresce, conforme acusa Moisés, que o UMjornal - um periódico lançado pela reitoria, mas suspenso há alguns meses - foi "censurado", o que é frontalmente desmentido por Guimarães Rodrigues, sustentado em declarações do jornalista e docente na UM Joaquim Fidalgo, director do jornal.

Reitor acusa: campanha "muito estranha"
Aliás, embora sem esconder que não pretende ultrapassar as marcas de um registo contido, quando confrontado com as acusações de que é alvo, o reitor e candidato censura a atitude do seu concorrente: "No mínimo, a campanha do professor Moisés Martins deve ser classificada como sendo muito estranha", lamenta Guimarães Rodrigues, sugerindo que o seu adversário aposta na "conflitualidade como praxis" académica.
Em relação à renúncia de dois vice-reitores durante este mandato, o líder da UM garante ser "rigorosamente falso" que eles tenham saído por causa do seu estilo de liderança, como diz Moisés Martins, para quem o reitor tem sido "um homem só", centrado na gestão administrativa e ausente do quotidiano académico.
Um dos aspectos mais criticados por Moisés passa, precisamente, pelo método de eleição dos membros da reitoria - que considera "legal, mas completamente imoral" -, uma vez que Guimarães Rodrigues pugnou, na anterior eleição, por uma alteração do reduzido colégio eleitoral - a UM tem 1550 alunos (mais dois mil a fazer pós-graduação), 1200 professores e 700 funcionários, mas são menos de 90 os que votam, entre eles os próprios membros da reitoria. Acusado de não ter cumprido uma promessa eleitoral, o reitor riposta que seria "irrelevante" alargar apenas o número de elementos do colégio.
Em relação a estes últimos quatro anos, Guimarães Rodrigues assevera que a "missão foi cumprida" e destaca o "salto quântico" dado pela UM. É a universidade que apresenta maior número de investigadores, a que regista a "mais elevada" taxa de sucesso escolar (77 por cento), a que tem mais alunos envolvidos em práticas desportivas e a "única" com quatro institutos internacionais. Uma centena de docentes tem o doutoramento e 400 são mestres, sendo a primeira do país em termos relativos.

Guimarães Rodrigues
f Construir os edifícios das escolas de Direito e Superior de Enfermagem, a biblioteca central do pólo de Guimarães e a nova sede da associação académica

f Concluir as obras da Escola de Ciências da Saúde

f Consolidar o Minho como região do conhecimento e apostar na qualidade, financiamento, racionalização e numa universidade "sem muros"

Moisés Martins
f "Democratizar" a eleição do reitor logo no primeiro ano de mandato

f Apostar na "reitoria de porta aberta", mensalmente no terreno

f Instalar um vice-reitor permanente em Guimarães

f Repor o cargo de administrador da universidade

f Abertura dos campi para além do horário das aulas