Dança para quebrar barreiras, em Viseu

O Ensaio de Um Eros Possível junta no Teatro Viriato um bailarino e um doente com paralisia cerebral

Dois corpos surgem em palco rodopiando numa cadeira de rodas. Um sentado, outro de pé. Iniciam um encontro de fragilidades que se transformam em poder e o único som resulta do encontro desses dois corpos. O Ensaio de Um Eros Possível, hoje e amanhã no Teatro Viriato, em Viseu, é um dueto entre o bailarino e coreógrafo Romulus Neagu, colaborador regular da Companhia de Dança Paulo Ribeiro, e José António Correia, doente com paralisia cerebral do núcleo de Viseu da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC). O Ensaio de Um Eros Possível, como descreve o coreógrafo, insere-se "na procura de uma nova linguagem, uma nova forma de encontrar o corpo, de o explorar, tentar ir mais além". Neagu, que nos últimos três anos tem desenvolvido projectos para grupos específicos, como idosos e comunidades de imigrantes, diz que não foi difícil trabalhar com José António Correia. "Tudo surgiu com grande naturalidade e foi-se desenvolvendo com uma orgânica estupenda."
Em palco, a cadeira de rodas fica parada do início ao fim, uma intenção clara do coreógrafo que com este projecto pretende "quebrar clichés e barreiras", assumindo as diferenças de cada um. Neagu diz que este objectivo surgiu naturalmente ao longo da preparação do espectáculo. Entre os intérpretes foi necessário transpor o obstáculo da linguagem. "Eu não sou português e ele tem dificuldade na f