Metro chega à Póvoa a 18 de Março com serviço expresso de hora a hora

Empresa vai fazer uma viagem directa, de "cerca de 35 minutos", entre Póvoa e Senhora da Hora, com paragens apenas em
Vila do Conde e Pedras Rubras. Na Linha da Maia o metro poderá chegar ao Ismai a 31 de Março, mantendo-se Abril como mês previsto para a abertura da Linha do Aeroporto. Veículos tram-train vão ser encomendados. Por Abel Coentrão

O "incómodo" dos transportes alternativos entre a Póvoa de Varzim e a estação de Crestins, na Linha Vermelha do metro, deve terminar a 18 de Março, com a abertura de toda a extensão desta linha. Esta é, pelo menos, a data proposta pela comissão executiva da Metro do Porto, cujo presidente, Oliveira Marques, guiou ontem os jornalistas numa viagem entre a Trindade e o extremo norte da antiga linha da CP, já duplicada e electrificada e pronta a receber passageiros, apesar de alguns trabalhos de requalificação urbana que estão para durar. Os clientes terão metro a cada 15 minutos, sendo que a empresa vai oferecer um serviço expresso por hora, com paragens na Póvoa, em Vila do Conde, Pedras Rubras e Senhora da Hora. Na Linha da Maia, o metro poderá chegar ao Ismai (Instituto Superior da Maia) a 31 de Março, mantendo-se Abril como mês previsto para a abertura da Linha do Aeroporto.
Na Linha da Póvoa, Oliveira Marques garante que, para já, as viagens mais rápidas demorarão "30 a 35 minutos" até à Senhora da Hora, tendo em conta, explicou, que há obras de requalificação urbana que exigem redução da velocidade de circulação, como acontece na estação Verdes, que servirá de entroncamento com a Linha do Aeroporto. Terminados estes constrangimentos, o gestor da Metro admitiu que, mesmo com os veículos Eurotram, que atingem uma velocidade máxima de 80 quilómetros por hora, será possível fazer essa viagem de 24 quilómetros em menos de meia hora. Com esta opção de paragem na Senhora da Hora (Matosinhos), a empresa obriga os passageiros que pretendam seguir para a Trindade a fazer um transbordo, mas evita uma sobrecarga operacional do canal entre estas duas estações, notou Oliveira Marques.
A Metro do Porto estima conseguir cinco milhões de validações por ano neste troço da Linha Vermelha entre o extremo norte e a Senhora da Hora, pontuado por 25 estações (tecnicamente, a Linha tem 33 quilómetros, começa na Póvoa e só termina no Dragão, e tem 34 paragens). Os três Eurotram que farão o serviço omnibus, a parar em todas as estações, demorarão "pelo menos 45 minutos" a fazer o trajecto entre a Póvoa e aquela estação de Matosinhos. Oliveira Marques admitiu que, caso a procura assim o justifique, a empresa tem possibilidade técnica de oferecer dois "expressos" por hora, mas admitiu que o aumento da oferta levanta uma dificuldade: enquanto não tiver novos veículos, a operadora vai trabalhar, com a conclusão da rede, com apenas seis veículos de reserva.
"Estaremos à tangente", admitiu Oliveira Marques, que, em contraponto, também assumiu publicamente que está tudo encaminhado para a adjudicação à Bombardier dos 30 veículos tram-train, apropriados para trajectos suburbanos, como é o caso da Linha da Póvoa. A encomenda, que será formalizada numa das próximas reuniões da administração, mal chegue o aval do Governo, vai custar 120 milhões de euros. Os Flexity Link da multinacional canadiana são mais rápidos, mais robustos e têm maior percentagem de lugares sentados que o Flexity Outlook actualmente utilizado pela transportadora. A entrega das primeiras dez composições deve acontecer um ano e meio mais tarde. Até lá, Oliveira Marques pediu "paciência" a quem critica o serviço que a empresa vai prestar com os actuais veículos, embora tenha afirmado que, pela sua experiência, "os protestos acabam com o início da operação".