PT: comissão de trabalhadores considera que OPA põe em causa futuro do grupo

Os trabalhadores da PT acusam a Sonae de pretender retalhá-la, de vender a TMN e a Multimédia e de vender a Vivo à Telefónica
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Os trabalhadores da PT acusam a Sonae de pretender retalhá-la, de vender a TMN e a Multimédia e de vender a Vivo à Telefónica Steve Governo/AP
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Os trabalhadores da Portugal Telecom (PT) sublinham, em comunicado, que, se a operação tiver sucesso, "a PT pode ser retalhada, a TMN e a Multimédia vendidas, a Vivo vendida à Telefónica e os centros de decisão de uma empresa estratégica para a independência do país passarem a ser controlados pelo exterior".

O comunicado dos representantes dos trabalhadores da maior empresa portuguesa refere que "não se sabe quem está por detrás da Sonae, sendo do conhecimento público que a empresa de Belmiro de Azevedo, por si só, não tem capacidade para uma operação desta envergadura".

Os trabalhadores recordam que o parceiro da SonaeCom é a France Télécom e que o banco anunciado para esta operação é o espanhol Santander. Nesse sentido, a comissão defende a manutenção da blindagem dos estatutos e do controlo do Estado sobre a empresa através da "golden share" e o aprofundamento da sua posição accionista como uma forma mais segura de acautelar os interesses nacionais da empresa e dos trabalhadores.

Os trabalhadores lembram ainda que o sucesso da operação está dependente da posição do accionista Estado, uma vez que este pode intervir através da "golden share" impedindo a desblindagem dos estatutos, que só pode ser decidida em assembleia geral de accionistas.

"Ou Belmiro de Azevedo teve luz verde para avançar com a OPA através da garantia de que os obstáculos seriam removidos, ou então por detrás da iniciativa estarão outros objectivos que ainda não descortinámos", lê-se no comunicado.

Face a esta situação, a comissão de trabalhadores já propôs aos sindicatos representativos uma reunião com carácter urgente.

A Sonae SGPS lançou duas ofertas públicas de aquisição sobre a totalidade dos capitais da PT e da PT Multimédia, no valor global de 13,9 mil milhões de euros.

Por cada acção da PT, Belmiro de Azevedo oferece 9,5 euros e por cada título da PT Multimédia oferece 9,03 euros.