Tribunal decretou fim da actividade do Académico de Viseu

Atletas do clube deixam de poder participar já neste fim-de-semana nas competições em que estão inscritos

Depois de meses de indefinição, o Tribunal Judicial de Viseu decretou, ontem, a cessação de actividade do Clube Académico de Futebol (CAF). É o fim anunciado de um dos emblemas mais representativos da cidade de Viseu, criado em 1914. A sentença, com efeitos imediatos, proferida no final da assembleia de credores do clube, obriga a que, pelo menos, perto de 200 atletas das camadas jovens de futebol inscritos nas competições pelo CAF fiquem sem jogar já a partir do próximo fim-de-semana. Actualmente, esta era uma das modalidades com peso desportivo que restava no emblema viseense, sendo que algumas, como o futebol sénior e a natação, em Setembro, já tinham sido integradas no novo clube, fruto da parceria proposta pelo CAF ao Grupo Desportivo de Farminhão que se disponibilizou para alterar a sua designação social para Académico de Viseu Futebol Clube. Nessa data, as outras modalidades não passaram para a alçada da nova colectividade porque as equipas já tinham sido inscritas para a época a decorrer.
Contactado pelo PÚBLICO, o presidente do Académico de Viseu Futebol Clube, Jorge Simão, lamenta que estes jovens fiquem sem jogar, referindo que, "para esta época, é já impossível impedir que isso aconteça, mas na próxima o Académico de Viseu Futebol Clube vai fazer tudo o que puder para criar as modalidades juvenis".
Também o presidente da Associação de Futebol de Viseu, José Alberto, mostrou-se desagradado com a decisão. Para o dirigente desportivo, "é de lamentar a cessação de actividade, sobretudo para os jovens que criaram expectativas que agora são defraudadas". "Como é que se vai explicar a um jovem que vai ter de deixar de jogar porque o CAF acabou?", questiona.

200 atletas das camadas jovens
Os cerca de 200 atletas das camadas jovens do CAF, com idades entre os 9 e 18 anos, distribuídos por cinco equipas, estavam a disputar os campeonatos regionais de escolas e infantis e os campeonatos nacionais de iniciados e juvenis. A equipa de juniores cumpria o terceiro ano na I divisão do campeonato nacional do escalão. Segundo o presidente da Associação de Futebol de Viseu, nesta última prova, o CAF "não ocupava um lugar muito honroso", até porque toda a crise em que o clube tem estado mergulhado "teve reflexos desportivos", mas salienta "que, mais do que os resultados, interessava a participação".
A sentença de cessação de actividade do CAF deverá transitar em julgado dentro de 10 dias, dando-se início à liquidação do activo do clube. No entanto, ao que o PÚBLICO apurou, "não há bens suficientes para pagar os créditos em dívida".
A decisão de ontem é o culminar do processo de insolvência interposto no Tribunal Judicial de Viseu por duas ex-funcionárias da secção de natação. Apesar de terem o pagamento de salários regularizado e recebido as respectivas indemnizações quando foram despedidas, em Julho de 2004, as duas ex-funcionárias reivindicavam o pagamento de mais cerca de 11 mil euros, uma verba referente à diferença de vencimento estipulado no contrato colectivo de trabalho da Liga Portuguesa de Futebol, relativamente ao contrato colectivo de trabalho geral ao qual as funcionárias, contrariando o entendimento do Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho, estavam afectas. Ao que o PÚBLICO apurou, ao longo do processo que decorreu nos últimos três meses, foram reclamados pelos credores, nomeadamente, a Segurança Social, Finanças, trabalhadores e fornecedores, perto de um milhão e 100 mil euros.