Governo sueco quer esclarecer esterilizações maciças que realizou no passado

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Leif Pagrotsky DR

"Um dos objectivos fundamentais é saber que sociedade era esta que desenvolveu uma mentalidade eugenista e a investigação neste domínio, que era cientificamente aceite", refere um comunicado emitido quarta-feira pelo ministro da Cultura, do Ensino Superior e da Investigação, Leif Pagrotsky.

A eugenia é uma prática destinada a melhorar a espécie humana através da selecção ou eliminação de certas características hereditárias que foi desenvolvida na Suécia e noutros países no século XIX, e que serviu de base às políticas raciais do século XX.

Na sua forma mais extrema, a eugenia esteve em vigor sob o regime nazi com vista a eliminar pessoas consideradas "inferiores", mas foi também praticada noutros países, nomeadamente nos Estados Unidos.

No total, 63.000 pessoas, essencialmente mulheres, foram submetidas na Suécia, entre 1935 e 1975, a uma esterilização eugénica que visava criar uma raça sueca mais forte.

Este país escandinavo, oficialmente neutro durante a Segunda Guerra Mundial, forçou pessoas deficientes, epilépticas ou com problemas sociais a sofrer a intervenção, por vezes como contrapartida para serem autorizadas a casar-se ou ter alta de hospitais psiquiátricos.

Em 1999, as autoridades de Estocolmo aceitaram indemnizar as vítimas de esterilizações forçadas, dando-lhes quantias que chegaram nalguns casos a 175.000 coroas (19.000 euros) por pessoa.

O Governo encarregou o Fórum para a História Viva - uma organização especializada em estudos sobre o Holocausto e que levanta questões de tolerância, democracia e direitos humanos - de fazer um balanço das investigações feitas na Suécia no domínio da eugenia e determinar se é necessário continuar a analisar a questão.

Os resultados deste trabalho deverão ser apresentados em 31 de Março de 2007.

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