Alegre denuncia pressões contra a sua candidatura

Debates: Jerónimo Sousa diz que nunca demitiria Governo de forma ligeira

A eventual vitória de Cavaco e a Europa foram os temas que mais afastaram os dois candidatos
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A eventual vitória de Cavaco e a Europa foram os temas que mais afastaram os dois candidatos Manuel de Almeida/Lusa

Os candidatos presidenciais Jerónimo de Sousa e Manuel Alegre garantiram hoje que não demitiram o actual Governo de forma ligeira, com o candidato apoiado pelo PCP a admitir que apenas o faria se o Executivo violasse a Constituição.

No último penúltimo debate presidencial, o candidato apoiado pelo PCP foi interrogado sobre se demitiria o actual Governo se fosse eleito Presidente da República. Prudente, Jerónimo de Sousa afirmou que, "perante leis que colidam com a Constituição da República", recorreria primeiro ao Tribunal Constitucional, ao veto político, "e não logo ao exercício da bomba atómica".

"Obviamente, se houvesse uma colisão frontal" à Constituição, "procuraria acolher o sentimento dos portugueses em termos de democracia representativa e participativa. Não podia ser um acto ligeiro", acrescentou.

Também Manuel Alegre, que num debate anterior admitira a dissolução do Parlamento por causa de uma eventual privatização da água, colocou hoje esse cenário mais distante, alegando que em nada do que foi feito até agora pelo Governo indicia que se siga o caminho da privatização.

Manuel Alegre admitiu uma privatização da gestão da água e fez questão de frisar que defende "a estabilidade e a governabilidade". "Não tenho intenção nenhuma de demitir o engenheiro Sócrates, se é essa a preocupação", disse.

Cavaco e Europa separam candidatos

Os primeiros 30 minutos do debate foram marcados pela discussão sobre a posição de cada um em relação a Cavaco Silva, com Manuel Alegre a insistir que a desistência de uma das candidaturas de esquerda "facilitaria" o triunfo do ex-primeiro-ministro.

Jerónimo de Sousa disse que uma eventual vitória de Cavaco Silva, sobretudo pelas forças que o apoiam, levaria a "uma deriva presidencialista" e motivaria pressões para uma revisão constitucional e para uma drástica diminuição dos direitos laborais.

Apesar se reconhecer os riscos de uma eventual “deriva”, Alegre considerou errado falar-se em caminho para "a ditadura" caso Cavaco seja eleito.

Mais opostas foram as posições de Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa na questão europeia, com o primeiro a criticar o caminho "neoliberal" da Europa, mas a sublinhar que Portugal tem como única alternativa estar dentro da União Europeia.

Neste ponto, Jerónimo de Sousa mostrou o seu cepticismo em relação ao actual projecto europeu. "De Portugal, têm de tratar os portugueses. Sempre que achamos que os outros tratam dos nossos problemas enganamo-nos", declarou.

Alegre denuncia represálias a apoiantes

Logo no início do debate, Manuel Alegre voltou a afirmar que há pessoas com medo de dar a cara ao seu lado na campanha, temendo ser prejudicadas e sofrer represálias, como a perda de emprego.

Denunciando a existência de "jogo sujo", Alegre fez um "apelo à decência" e disse haver uma "estranha crispação" contra a sua candidatura. "Há 30 anos que não via uma coisa assim. Há um excesso de apelos à minha desistência", declarou.

Mais à frente no debate, mas ainda na primeira parte, o candidato foi ainda mais longe, dizendo que o "jogo sujo" está a ser feito por "uma ou duas pessoas do PS" e não pelo partido. "Não me intimidarão", assegurou, antes de esclarecer que estava a falar de situações que se "verificam em geral".