Estatísticas da DGV

Estradas nacionais 1 e 125 tão perigosas como IP4 e IP5

Dados agora divulgados permitem identificar os locais onde mais se morre de acidentes rodoviários em Portugal
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Dados agora divulgados permitem identificar os locais onde mais se morre de acidentes rodoviários em Portugal Pedro Costa/Lusa

O IP4 e o IP5 estão no topo da lista da sinistralidade grave em Portugal, mas há outras estradas muito perigosas que não aparecem como pontos negros oficiais apesar de exibirem números igualmente pesados. São os casos da Estrada Nacional (EN) 125, no Algarve, que bateu o recorde em feridos graves (57) em 2004, e da EN1, uma via longa e com muito tráfego de pesados, que exibe dos números mais sinistros: 24 mortos e 43 feridos graves.

Também no IP3 (Coimbra), na A2 (Lisboa-Algarve), no IC2 (Leiria) e nas estradas nacionais nºs 2 (Beiras) e 205 (Braga) morrem dezenas de portugueses em despistes, colisões e atropelamentos.

Os dados foram retirados dos relatórios distritais de sinistralidade rodoviária de 2004 disponibilizados esta semana no site da Direcção-Geral de Viação (DGV). É a primeira vez que a DGV revela a hora e o local exacto onde acontecem os acidentes e o respectivo número de vítimas, permitindo identificar os lugares mais perigosos e que não estão referenciados como ponto negro, independentemente do volume de tráfego.

Segundo a definição da DGV, um ponto negro corresponde a um lanço de estrada com o máximo de 200 metros de extensão no qual se registaram, pelo menos, cinco acidentes com vítimas (mortos e feridos graves) durante um ano. Apesar de alguns locais concentrarem mais do que um acidente, não encaixam no "conceito" oficial por falta de número ou por ocorrerem num troço mais alargado do que os 200 metros.

O IP4 (que liga o Porto a Bragança) é a via com números mais elevados: 28 mortos e 27 feridos graves. É seguido pelo IP5 (Aveiro-Guarda) com 16 mortos e 24 feridos graves registados em 2004, ano em que a via foi alvo de obras para a transformação em auto-estrada. No Sul, há uma estrada que se revela tão perigosa como os dois mediáticos itinerários: a Estrada Nacional 125 contabilizou 15 mortos e 57 feridos graves. Nos distritos de Beja e Setúbal, o IC1 deixa estragos: 10 mortos e 18 feridos graves.

De alto risco é também o IC2, já conhecido por ter pontos negros. Em Leiria, ao quilómetro 121, aconteceram duas colisões frontais só no ano passado.

As principais auto-estradas que atravessam o país (A1 e A2) somam 18 mortos cada uma. Também a recente A4, que liga Porto a Amarante, regista uma sinistralidade elevada: 10 mortos e 16 feridos graves.

Na zona Centro e Norte do país, a EN2 apresenta números negros em vários distritos: Viseu, Vila Real, Castelo Branco e Abrantes.

Apesar de na radiografia do PÚBLICO não estarem discriminadas as estradas municipais e os arruamentos, estas vias também assinalam muitos dos acidentes graves, em que perderam a vida 170 pessoas e ficaram gravemente feridas 537.

No total, em 2004, morreram 1356 pessoas nas estradas portuguesas, menos 16 por cento face ao ano anterior, o que representou uma das maiores reduções de sempre. Já este ano, a redução do número de vítimas mortais é menor: 785 mortos, menos 27 do que em igual período de 2004.

Só são considerados como "mortos" os sinistrados que perdem a vida no local do acidente ou a caminho da unidade de saúde.