Vestígios pré-romanos encontrados na Citânia de Briteiros

O achado constitui mais um argumento para os defensores da teoria do desenvolvimento interno dos castros

O reinício das escavações na parte alta da Citânia de Briteiros, interrompidas nos anos 70, revelou a existência de vestígios pré-romanos no castro. Mais do que uma descoberta, o achado fornece um contributo para a teoria de que o desenvolvimento daquela povoação remonta a épocas anteriores ao domínio romano, tese já defendida no século XIX pelo conhecido arqueólogo vimaranense Francisco Martins Sarmento.Desenvolvida em Julho no âmbito de um dos estágios de finalistas da licenciatura em História da Universidade do Minho (UM), variante de Arqueologia, a pesquisa visou retomar o estudo de zonas escavadas por Martins Sarmento em 1876, o qual defendia a teoria do desenvolvimento interno dos castros. Em consonância com a hipótese que afasta um crescimento alicerçado em influências externas, os resultados permitiram efectuar uma "datação mais fina da época de edificação das casas". As construções recuam a finais do século II a.C. ou inícios do século I a.C, explica Sande de Lemos, um dos responsáveis da Unidade de Arqueologia da UM e coordenador do trabalho.
O estudo foi efectuado no subsolo das habitações situadas no cimo da citânia, zona investigada pela última vez nos anos 70 por Armando Coelho, da Universidade do Porto. Sob o pavimento de uma das zonas habitacionais, definidas em plantas topográficas por Martins Sarmento, foram recolhidas apenas "cerâmicas da Idade do Ferro", não tendo sido encontrados quaisquer indícios de influência romana, especificou Sande de Lemos. Isto significa que "a qualidade da construção e a organização do espaço é um processo pré-romano", hipótese também apontada por Armando Coelho.
Antes da conquista do Noroeste peninsular pelos romanos, os povoados estavam em "pleno desenvolvimento e afirmação, um dado interessante do ponto de vista científico", considera o arqueólogo da UM. Mesmo nas camadas superficiais foi recolhido muito pouco material romano, acrescenta. Os resultados da investigação serão apresentados através da Internet e em palestras a agendar no mês de Setembro.