O douro como tema da bienal da prata

Criações em prata de 13 artistas contemporâneos - os portugueses Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Álvaro Leite Siza, Alberto Carneiro, José Pedro Croft, Miguel Palma, Pedro Cabrita Reis, Ângelo de Sousa, Baltazar Torres, Albuquerque Mendes, Graça Saarsfield e Manuel Casimiro, e o espanhol Jaume Plensa - são a grande atracção da segunda Bienal da Prata, que decorre durante o mês de Outubro, no Museu de Lamego. A todos foi lançado o desafio de se inspirarem no tema Imagens do Douro. O comissário da exposição, o crítico Bernardo Pinto de Almeida, explicou que a bienal foi "pensada como um projecto de desenvolvimento regional", que nasceu para "reactivar o prestígio da tradição da prata em Portugal e, ao mesmo tempo, contribuir para a dinamização e internacionalização da região duriense". "Todos os artistas reagiram muito bem, entenderam o projecto e todos eles fizeram peças de uma beleza extraordinária. Todas elas fazem referências à região do Douro, a partir de folhas de casta ou de outras variações", exemplificou Pinto de Almeida, acrescentando que cada uma será feita "em múltiplos de apenas vinte exemplares".
Lembrando a "grande tradição nacional" na indústria da prata, traduzida em artefactos "absolutamente extraordinários", datados "desde o século XVI e espalhadas por vários museus", o comissário diz que "as peças da bienal são inéditas e fogem completamente à peça tradicional de prata, actualmente muito confundida com a joalharia fácil, de consumo rápido": "Na bienal passamos a prata para outro plano, apresentando peças que são pequenas jóias, muito particulares, verdadeiras peças de artista. No fundo, trata-se de uma acção de dignificação da prata, dando-lhe a dignidade de ser tratada por artistas."
Bernardo Pinto de Almeida dirigiu ainda um convite ao artista plástico Julião Sarmento, que, em colaboração com o designer Francisco Braga da Cruz, criou um faqueiro em prata que será oferecido à Presidência da República.
Do programa da bienal, consta ainda uma exposição de Daniel Blaufuks, com 13 fotografias do Douro Vinhateiro. A segunda edição da Bienal da Prata, a primeira realizou-se em 2001, segue depois em itinerância para Porto e Lisboa. Maria
Albuquerque