Quatro vozes portuguesas para quatro novas "estrelas" da DreamWorks

Quatro animais habituados a viver em cativeiro vão parar à selva, um lugar "esquisitóide", por acidente. Conseguirão regressar ao doce Zoológico?

O leão Alex, a zebra Marty, a girafa Melman e o hipopótamo fêmea Glória são as novas estrelas dos estúdios PDI/DreamWorks (criadores de Shrek e O Gang dos Tubarões) e os protagonistas de Madagáscar, o filme de animação do Verão, que chega hoje aos cinemas portugueses. Nos EUA, onde as receitas de bilheteira ultrapassaram nos primeiros dez dias os cem milhões de dólares, é, até agora, o terceiro filme mais visto de 2005.A história é simples. A acção começa no Jardim Zoológico de Central Park, Nova Iorque, onde os quatro animais vivem com todas as mordomias e mimos - refeições a horas, massagens, cabeleireiro, música ambiente, fotografias e gritos dos visitantes... Só Marty - que quer conhecer o mundo para lá das vedações e perceber se é branco com riscas pretas ou preto com listas brancas - vive infeliz. Decide sair do Zoo na noite do seu 10.º aniversário e é seguido pelos amigos, quando estes dão pela sua falta. Porque se trata de uma "terapia de grupo", como diz Glória, têm de ir todos.
Capturados na Central Station, acabam embalados e enviados, por acidente, para a ilha de Madagáscar. E porquê Madagáscar? Eric Darnell (realizador, juntamente com Tom McGrath) justifica o cenário e o nome do filme com a necessidade de encontrar um lugar que fosse o pólo oposto de Manhattan. A ilha de Madagáscar, a quarta maior do mundo, situada no Índico ao largo de Moçambique, com uma fauna e flora únicas, é a verdadeira selva.

Confronto entre o habitat e o cativeiro
Para Pedro Laginha, que faz a voz de Alex na versão portuguesa, este confronto entre o habitat natural e o cativeiro a que estes animais estavam habituados é o mais "giro" do filme. O actor elogia ainda a qualidade do argumento, a tradução para português e os desenhos dos bonecos. Sobre o seu desempenho, afirma que a sua voz não está igual à de Ben Stiller (voz original), mas que "há muitas nuances parecidas".
Rui Oliveira faz dobragens há 17 ou 18 anos, mas estreia-se agora, ao fazer a voz de Marty, como protagonista num filme de animação para cinema, experiência que considera "extraordinária". Embora reconheça que o filme "roda um bocado à volta do leão" (o verdadeiro rei daquele zoológico e para quem a selva representa um "pesadelo horrível"), considera o seu boneco essencial. É a tristeza que a zebra sente que faz com que o filme se desenrole. Sobre o seu trabalho, o actor afirma: "Foi uma inspiração muito grande fazer este personagem, porque o actor da voz original, Chris Rock, é um comediante com muita piada e com uma capacidade histriónica muito grande, por vezes difícil de acompanhar." E considera que a voz dobrada tem de seguir "muito à risca" a voz original, "para o boneco ficar credível, com a mesma energia". O actor elogia ainda o trabalho de Bruno Nogueira, "muito alto e esguio", que faz a voz de Melm: "Saiu-lhe muito bem."
A mesma opinião tem o próprio. Bruno Nogueira, humorista, 1,94 metros, confirma que a primeira experiência de dobragem de um filme de animação lhe "correu muito bem". Dobrar é uma maneira de "explorar e dar voz a outras personagens" - neste caso, a uma girafa medrosa e com a mania das doenças (voz original de David Schwimmer). A parte mais difícil do trabalho é feito pela equipa de tradução, considera Bruno Nogueira, que tem de fazer com que a frase faça igualmente sentido, mas em português. Para o actor fica reservado o papel de olhar para o original e criar um bocadinho além disso: "Uma personagem como a minha, que é hipocondríaca e com medo de tudo, não vai, de repente, ter uma voz violenta."
Glória (voz original de Jada Pinkett Smith), um hipopótamo fêmea, completa o quarteto das personagens principais. A actriz portuguesa que lhe dá voz é Leonor Álcacer: "É um bocado a líder do grupo, que acaba por conciliar as energias de todos e chamá-los à razão quando é preciso. Nem que seja através da força..." E acrescenta: "Glória tem um lado muito maternal, até um bocadinho sufocante. Há uma cena em que ela está a dar tanto mimo ao leão que nem se apercebe que ele está com falta de ar..." Para Leonor Alcácer, que adora fazer dobragem de bonecos e que considera que se pode ser criativo apesar do trabalho original, este é um filme bem disposto e cheio de humor. Tal como Pedro Laginha, pensa que Madagáscar é para crianças, mas diverte os pais de 30 anos.