Protestos dos habitantes de Calde e Lordosa

Ligação da A24 a Viseu inaugurada hoje

O novo troço de auto-estrada vai ser inaugurado sob protesto
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O novo troço de auto-estrada vai ser inaugurado sob protesto Luís Forra/Lusa

O sublanço da auto-estrada A24 entre Viseu e Castro Daire Sul, com 19 quilómetros, correspondendo a um investimento de 75,1 milhões de euros, vai ser inaugurado hoje, debaixo dos protestos dos populares.

Os habitantes das freguesias de Calde e de Lordosa (Viseu), que apresentaram no Governo Civil um pedido de autorização para se manifestarem, pretendem confrontar o secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, que vai presidir à cerimónia de inauguração, com questões como a falta de pagamento dos terrenos expropriados e a ausência de nós de acesso à A24.

Os habitantes de Lordosa vão entregar a Paulo Campos um documento onde o informam de que a auto-estrada que está a inaugurar "ainda não é do Estado", porque os terrenos onde foi construída não foram pagos aos proprietários. "Durante os dois anos em que decorreram as obras, o Estado nunca teve disponibilidade para pagar as expropriações. E, ainda por cima, os proprietários receberam cartas para pagarem os impostos destes terrenos, o que é uma injustiça, porque já não têm qualquer rendimento sobre eles", afirmou à agência Lusa Nuno Silva, um dos habitantes de Lordosa.

Neste âmbito, se nada for feito, ameaçam colocar nos seus terrenos "as portagens que o Governo PS prometeu não colocar nas Scut (vias sem custo para o utilizador)", de forma a serem ressarcidos pela ocupação das suas propriedades.

Nuno Silva garantiu que "em 90 por cento dos casos não há qualquer desculpa para que o pagamento não aconteça, uma vez que não há falta de certidões de titularidade da parte dos proprietários, nem processos contenciosos".

Por outro lado, acrescentou, os populares "sentem-se enganados por não ter sido construído um nó de acesso na estrada do Gaio", como estava previsto no projecto inicial. "Este nó não servia só as populações", frisou, considerando que seria também útil ao complexo do Instituto Piaget, cujos professores e dois mil estudantes terão que percorrer 20 quilómetros para aceder à A24.

Os moradores de Lordosa querem também mostrar o seu descontentamento ao governante pela "vergonhosa ligação entre as localidades de Paçô e Galifonge, que ficou dotada de uma curva em U que faria inveja a muitas pistas automobilísticas", e pela falta de uma passagem para aqueles que viram os terrenos divididos pela A24.

Preocupações idênticas têm os habitantes de Calde, que já se manifestaram na quinta-feira passada, dia para o qual chegou a estar marcada a inauguração daquele troço.

Na sequência da manifestação da semana passada, e em resposta às reivindicações dos habitantes, a Estradas de Portugal (EP) emitiu uma nota a assegurar que "o pagamento das indemnizações tem vindo a ser executado progressivamente e prosseguirá, mesmo após a conclusão da construção", explicando que estão apenas por resolver situações que se prendem "com processos litigiosos ou casos de falta de documentação necessária por parte dos proprietários".

O traçado da A24 a inaugurar hoje tem 18,8 quilómetros, entre a povoação de Arcas (Castro Daire) e o IP5 na zona de Viseu. Fica assim completa a ligação do IP5 ao IP4, com a conclusão dos cerca de 90 quilómetros de auto-estrada entre Viseu e Vila Real.

"Ao permitir fechar, integralmente em auto-estrada, o percurso entre Viseu e Vila Real, este lanço contribuirá decisivamente para a melhoria das deslocações que hoje se realizam pela EN2, aproximando assim os dois distritos", refere o comunicado da EP.