Liceu Nacional da Guarda celebrou ontem 150 anos

Secretário de Estado marcou presença nas comemorações
e falou na necessidade de diversificar o ensino no secundário

Foram cerca de três centenas os antigos alunos, professores e dirigentes do então Liceu Nacional da Guarda que ontem recordaram vivências e compararam métodos de ensino no passado e no presente. O reencontro foi motivado pela cerimónia de comemoração dos 150 anos da instalação da escola na cidade, que contou também com a presença do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, e com um rol variado de iniciativas.Foi há cerca de um século e meio que ocorreu a assinatura de instalação do estabelecimento de ensino na Guarda. A memória da instituição, que foi um marco na história da cidade e da região e pela qual passaram nomes como Vergílio Ferreira, Eduardo Lourenço e Augusto Gil, foi ontem assinalada com uma sessão solene, um almoço e várias exposições.
Embora a data da instalação do antigo liceu tivesse sido o dia 3 de Agosto de 1855, foi decidido antecipar as celebrações, uma vez que nessa altura já se estaria em período de férias, como explicou António Soares, presidente do conselho executivo daquele estabelecimento de ensino. O programa das comemorações visou não só evocar uma data significativa para a escola, mas também realçar o passado de uma instituição que foi um verdadeiro marco na história da Guarda.
Durante estes 150 anos, o estabelecimento de ensino foi-se adaptando aos tempos, tendo tido diversas designações, desde Liceu Nacional da Guarda, Liceu Nacional do Distrito da Guarda, Liceu Central Afonso de Albuquerque e, desde há alguns anos, Escola Secundária Afonso de Albuquerque. Teve cerca de 45 reitores, a começar por Carlos Leitão, que era prior da Sé Catedral, e terminando em Abílio Perfeito, logo após o 25 de Abril de 1974, altura em que o cargo foi extinto. Milhares de alunos passaram pela escola, que começou numa exígua casa na Rua de S. Vicente e hoje ocupa um amplo edifício próximo do parque municipal.

Valter Lemos defende diversificação do ensino
O secretário de Estado da Educação aproveitou a ocasião para defender a necessidade de uma diversificação do ensino para que os jovens possam ter a possibilidade de fazer "uma formação que seja útil ao país". "Nos próximos tempos iremos fazer um esforço para que em todas as escolas secundárias se proceda a um alargamento da diversificação, a uma multiplicação de alternativas", salientou, recordando a existência de "uma taxa de abandono escolar de 24 por cento".
Número que, na opinião do governante, "é preocupante e assustador, tanto mais que esse número se acentua no ensino secundário, onde cerca de 50 por cento desses jovens abandonam a escola". Por isso, sustenta, "é absolutamente fundamental que os nossos jovens atinjam um mais elevado nível de escolaridade, o que vai exigir um grande esforço".
A qualidade das escolas "não é medida por aquilo que aprendem apenas os melhores alunos, mas todos os alunos", sustenta Valter Lemos, mostrando-se convicto de que "todas as escolas do país se envolverão para que os jovens tenham a possibilidade de fazer uma formação útil ao país".
Depois de evidenciar o "bom exemplo" da Escola Secundária de Afonso de Albuquerque, herdeira do legado histórico do antigo liceu, aquele membro do Governo considerou que os primeiros passos devem ser dados pelas "boas escolas" do país.