René Bertholo O pintor das máquinas bem complicadas

Ao lado de Lourdes Castro e Costa Pinheiro, Bertholo fez parte do grupo KWY, que nos anos 50 e 60 manifestou a sua insatisfação
com a arte e a política que se faziam em Portugal. Morreu aos 70 anos.

A expressão era sua: sempre gostou de máquinas complicadas, que construía e expunha, que se estragavam e eram quase impossíveis de restaurar. Por vezes, essa máquina era o próprio corpo, que produzia imagens muito semelhantes, mas nunca idênticas, como se de facto esse corpo fosse uma máquina que abdicasse da sua condição humana para trabalhar. Chamava-se René Bertholo, estava doente há muito tempo e morreu na última sexta-feira, aos 70 anos.René Bertholo foi, com Lourdes Castro, Costa Pinheiro e outros, o protagonista de uma aventura sem igual na arte contemporânea portuguesa, que teve por nome KWY. Estas eram as três letras que, nos anos cinquenta e sessenta, não existiam no alfabeto português.