Festival das Músicas Sacras do Mundo em Fez

O Festival das Músicas Sacras do Mundo começou em Fez (até 11), devendo levar 30 mil pessoas à cidade que foi durante séculos exemplo de convivência entre judeus e muçulmanos. Paralelamente, decorre o fórum Encontros de Fez, uma alma para a Globalização, com figuras de todo o mundo e de vários quadrantes.Este ano, o programa musical abriu com o Stabat Mater de Pergolesi cantado por Teresa Berganza e Cecilia Lavilla, a que se seguiram cantos sufitas clássicos por Asmae Lemnawar (Marrocos). Hoje é a vez de Ravi Shankar interpretar música clássica da Índia. O dia 6 é consagrado às montanhas da Ásia Central e 9 à idade de ouro sefardita na Andaluzia. Passarão pelos palcos músicas e danças do Egipto, Japão, França, Itália, Espanha, Paquistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Quirguistão, Senegal, Iraque, Marrocos ou Colômbia. Gospel americanos fecham o festival.
A iniciativa foi lançada em 1994, a seguir à Guerra do Golfo de 1991, pelo antropólogo e sufi marroquino Faouzi Skali, sob a ideia de que a música é uma via de diálogo e coexistência entre as culturas, e para estabelecer pontes entre Oriente e Ocidente, entre o mundo islâmico e a Europa, face às novas fracturas que sucederam à guerra fria.
Por isso o festival tem uma segunda dimensão, os Encontros, em que dezenas de figuras, da cultura ou da ciência, politólogos ou economistas, religiosos ou militantes de organizações humanitárias, debatem a globalização.
A ideia, diz Skali, é fazer um fórum diferente de Davos, centrado na economia, ou de Porto Alegre, centrado no social, privilegiando a dimensão cultural, com um pressuposto: a globalização não deve ser destrutiva da multiplicidade das culturas. "É extremamente mau que um só sistema predomine no mundo. É o contrário da pluralidade, que deve ser a base da troca e do diálogo."
Pela primeira vez há uma participação portuguesa. Vinte praticantes de tenchi tessen, dirigidos pelo mestre de budo Georges Stobbaerts, actuarão amanhã.
O tenchi tessen é uma arte do movimento, derivada das artes marciais japonesas, em que o leque (tessen) substitui o sabre. Criada por Stobbaerts na escola Ten Chi Internacional (Várzea de Sintra), nos anos 1980, combina o movimento e o som, reflectindo experiências em domínios como a mitologia indiana, a filosofia chinesa, as artes marciais, o ioga, o zen e o teatro. Para Stobbaerts, as artes marciais tradicionais integram-se no campo da cultura e da espiritualidade, não do desporto. Jorge Almeida Fernandes