Crítica

Perto Demais

A proposta é esta: expor os rituais de acasalamento (cruzados) entre dois casais, mas com o sexo fora de campo.

Visto dessa perspectiva, até parece interessante: o jogo é sobretudo verbal (mas, então, porquê a sequência exibicionista - exibicionista nos seus "clichés" - no clube de "strip"?). As intenções parecem claras: convocar o cinismo e a mundanidade das relações amorosas, reduzindo-as a uma espécie de competição . Assim é fácil: com a sua geometria difusa, assente em elipses, "Perto Demais" concentra-se apenas no início e no desfecho das ligações, sem se preocupar com o meio-campo (isto é, sem traço de complexidade). Filme para ressabiados, portanto. Jude Law é puro narcisismo e embaraçosamente mau, Natalie Portman tem demasiados estereótipos contra ela, Clive Owen é corrupto, logo convincente, Julia Roberts, exemplar, rima suavidade com gravidade.

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