Nasce Associação para um Portugal Livre de Drogas

Em contraponto às actuais políticas de tratamento de substituição, o grupo defende uma vida sem drogas para os toxicodependentes

Personalidades do PSD, do PS e do CDS-PP, entre outras, formaram "um grupo de pressão" para promover a ideia que o "toxicodependente pode ter uma vida livre de drogas", em contraponto às actuais políticas de tratamentos de substituição."Ouvimos falar em estratégias de redução de danos, programas de substituição opiácea e troca de seringas, mas não ouvimos falar com clareza de que é possível um toxicodependente ter uma vida livre de drogas", defendeu ontem à agência Lusa o psiquiatra Manuel Pinto Coelho, que preside à recém-criada Associação para um Portugal Livre de Drogas.
A associação, constituída em Novembro de 2004, conta na sua direcção com personalidades como o socialista e ex-secretário de Estado Fausto Correia, Manuel Queiró, do CDS-PP, Jorge Nuno de Sá (líder da JSD), Pedro Mota Soares (secretário-geral do CDS-PP), Graça Proença de Carvalho e Gonçalo Capitão (vice-presidente do grupo parlamentar do PSD).
O director da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, António Rendas, o vice-reitor da Universidade Independente, Rui Verde, e os académicos Manuela Fleming, Rui Penha e Rui Moreira, entre outros, constituem ainda esta associação, que se reuniu ontem em Lisboa para definir o seu "plano de trabalho".
Manuel Pinto Coelho sublinha que a associação pretende ser um "grupo de pressão e de intervenção" para criar uma nova mentalidade de que os toxicodependentes podem ter uma vida livre de drogas, em contraponto às actuais políticas - definidas pelo PS e seguidas pela coligação PSD/CDS - de redução de danos e tratamentos de substituição opiácea.
O médico, que chegou a ser apontado pelo Governo de Durão Barroso para presidir ao Instituto da Droga e da Toxicodependência, nomeação que gerou polémica e que nunca chegou a consumar-se, quer, com a associação, "contrariar a filosofia de que as drogas vieram para ficar e de que não existe outra solução senão adaptar-nos a elas através de estratégias várias de redução dos danos que elas provocam". Pinto Coelho considera, contudo, que a redução de danos e a prevenção primária devem fazer parte das políticas. Lusa