Com 13 quilómetros de extensão

Valença-Monção: antiga linha de caminho de ferro reabre como ecopista

Ao longo da via existem painéis de interpretação para ajudar a compreender os recursos culturais e naturais
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Ao longo da via existem painéis de interpretação para ajudar a compreender os recursos culturais e naturais Adriano Miranda/PÚBLICO

A antiga linha do caminho de ferro entre Valença e Monção vai reabrir no domingo transformada numa ecopista destinada a passeios a pé e de bicicleta, com uma extensão de 13 quilómetros, informou hoje fonte municipal.

Esta "via verde" ao longo da margem do rio Minho implicou um investimento total de 815 mil euros e só foi possível graças a um contrato de concessão e de utilização da antiga linha, desactivada a 31 de Dezembro de 1989, assinado entre a Refer e as duas câmaras envolvidas.

Com uma duração de 25 anos, renovável por períodos sucessivos de cinco anos, o contrato tem início a partir da data de inauguração da ecopista, devendo os dois municípios pagar à Refer uma taxa anual de 2800 euros.

O troço de Valença, com uma extensão de nove quilómetros, custou 448 mil euros e incluiu a remodelação da antiga Casa da Vigia da Linha, na Ponte Seca, para aí ser instalado o Centro de Interpretação da Ecopista, onde figuram vários painéis que mostram todo o percurso da via e descrevem todos os pontos de interesse.

No mesmo espaço, é também possível conhecer um pouco da história dos caminhos-de-ferro em Valença e Monção, desde 1875 até à actualidade.

Os valores naturais proporcionados por um percurso próximo ao rio Minho, que coincide com uma área protegida pela Rede Natura 2000, poderão igualmente ser "descobertos" neste centro.

Está ainda em estudo a disponibilização de um serviço de aluguer de bicicletas com base no Centro de Interpretação.

O espaço da antiga estação de Friestas, a meio do percurso da ecopista, sofreu uma intervenção mais alargada para prestar maior apoio aos utentes, com a criação de um parque de estacionamento e de uma zona de lazer. Para apoio a esta zona, foi construído um abrigo em madeira, segundo a traça do antigo armazém ferroviário.

Nos espaços das antigas estações de Ganfei e Verdoejo foram recuperadas as casas de banho e os abrigos, para apoio aos utentes da via.

A obra do troço de Monção, que tem apenas quatro quilómetros, custou 367 mil euros e incidiu sobretudo na recuperação do apeadeiro de Nossa Senhora da Cabeça, em Cortes, com a construção de novos sanitários e de um pequeno parque de estacionamento.

Neste apeadeiro será também possível apreciar uma mostra de fotografia antiga relativa à vivência da comunidade local com o comboio, nomeadamente o cartaz original ampliado a anunciar a chegada do comboio a Monção, em 1915, além de várias fotografias de locomotivas que circularam naquela linha.

A ponte ferroviária sobre o rio Gadanha e o edifício da estação da Lapela foram igualmente objecto de beneficiação.

"Com esta ecopista, pretende-se reforçar a oferta turística da região com um novo produto de natureza que mostra alguns dos aspectos mais cativantes do Vale do Minho", sublinhou a fonte municipal.

Ao longo da via, os painéis de interpretação e a sinalética fornecerão elementos suficientes para que os utentes da ecopista, na ausência de guias, possam compreender os recursos culturais, naturais e paisagísticos que se lhes vão apresentando.