Depois de uma queda em sua casa, na Cidade da Praia

Morreu Ildo Lobo, a voz dos Tubarões

Depois da extinção dos Tubarões, Ildo Lobo prosseguiu uma carreira a solo
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Depois da extinção dos Tubarões, Ildo Lobo prosseguiu uma carreira a solo DR

Ildo Lobo, um dos mais importantes representantes da música de Cabo Verde, morreu ontem, na sequência de uma queda em sua casa, na Cidade da Praia, seguida de um ataque cardíaco, informou a família. Lobo, cujo novo disco, "Incondicional", estava prestes a sair, tinha 50 anos e fez parte da mítica formação cabo-verdiana Os Tubarões, que marcaram a música de Cabo Verde a partir da época da independência, a 5 de Junho de 1975, até à década de 90.

Dividindo a sua carreira como músico com a profissão de oficial de alfândega, Lobo era não só conhecido pelas suas mornas, funanás e coladeras, como pelas suas posições políticas e discurso interventivo de cariz marxista.

Depois da extinção dos Tubarões, o cantor prosseguiu uma carreira a solo tendo gravado o seu primeiro disco em 1996, com o título "Nos Morna", dedicado ao pai que acabara de falecer e inteiramente preenchido por mornas. A produção esteve a cargo de Mário Lúcio, do grupo Simentera, e a gravação decorreu em Paris com músicos oriundos da ilha de Santiago. No álbum seguinte, de 2001, "Intelectual", teve a acompanhá-lo a banda de Cesária Évora.

Ao longo da sua carreira, iniciada aos 14 anos no conjunto Madrugada e prosseguida nos Tubarões, Ildo Lobo deu voz a compositores como Manuel d'Novas e Renato Cardoso e interpretou mornas como "05 de Julho", "Cabral ká morri" e "Porton di nôs ilha". Participou ainda numa homenagem a Timor-Leste durante a luta de independência deste país, com o funaná "Ask Xanana" (adaptado de um tema dos Tubarões, "Djonsinho Cabral"), e no disco "Filhos da Madrugada", onde cantou temas de José Afonso. A sua última apresentação em Portugal aconteceu a 2 de Fevereiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.