Natação portuguesa supera as expectativas

O terceiro dia de competições teve duas participações portuguesas em duas das 52 finais dos Jogos Paralímpicos, jornada que ficou marcada pelo sexto lugar do nadador Nélson Lopes na final de 50m costas (categoria S4, deficiência motora) e da desistência, devido a um problema muscular, de José Alves na final dos 200 metros (categoria T13, amblíopes).Para Nélson Lopes, o sexto lugar teve sabor a medalha, até porque foi o seu melhor resultado de sempre a nível mundial. Com o novo tempo de 53,68s bate o seu próprio recorde nacional na natação e fica entre os dez melhores do mundo. "Superei as minhas expectativas e até as de outras pessoas", garantiu o atleta, que chegou a Atenas com o objectivo de melhorar a sua marca pessoal, tentar uma final e posicionar-se entre o sétimo e o oitavo lugares.O nadador, com deficiência motora (devido a poliomielite), esteve presente em Sydney 2000, não tendo conseguido chegar a uma final. Nélson Lopes explicou ainda que tinha adversários difíceis, considerando "fortíssimo" o mexicano Juan Ignacio Reyes, atleta este que conquistou a medalha de ouro, batendo vários recordes, o paralímpico e o mundial, com o tempo de 45,73segundos. Traído pelos músculosNa jornada de atletismo, o dia correu mal a José Alves, ao desistir a 50 metros da meta na prova dos 200m, tendo sido transportado de maca para fora da pista. "Tive um problema muscular e não sei se foi uma distensão, uma ruptura ou uma contractura. Provavelmente vou ter que aguardar 24 horas para saber exactamente o que tenho", adiantou o atleta, visivelmente desiludido."Hoje [ontem] poderia mesmo ter chegado aos 22,70 segundos ou 22,80s. Ando há dez anos a tentar baixar dos 23 segundos", referiu José Alves, que pela primeira vez na sua carreira marcou presença na final dos 200 metros. A extensão da lesão só amanhã poderá ser avaliada. Agora, o atleta quer recuperar o mais depressa possível para poder participar na corrida dos 400 metros (categoria T13), prova que está agendada para sexta-feira, e na estafeta 4x100 metros (categoriaT11-13, cegos totais e amblíopes).Mais sete portugueses hoje em acçãoHoje entram em competição sete atletas lusos, três dos quais são estreantes em Jogos Paralímpicos. Na equitação, Carlos Pereira participa na prova de teste individual às 13h (11h de Lisboa). A sua segunda prova, o "freestyle" decorre no dia 23. Na natação, Leila Marques e Maria João Morgado voltam a competir, agora nas provas de 100 metros bruços e 200metros livres, respectivamente, e ainda os estreantes Nuno Vitorino (classe S3, tetraplégico) e João Martins (classe S1, paralisia cerebral). Para estes atletas, que pela primeira vez participam em Jogos Paralímpicos, o objectivo é fazer o melhor e se possível chegar a uma final.Nas competições atléticas, Firmino Baptista, actual vice-campeão paralímpico dos 200 metros, vai competir de manhã. Está inscrito nas provas de 100, 200m e estafeta 4x400m. Este estudante de 26 anos (classe T11, cego total), tem como objectivo qualificar-se para todas as finais. Pelas 10h35 ( 8h35 de Lisboa) entra em acção o "veterano" Carlos Lopes, um dos atletas mais medalhados, tendo já participado em três Jogos Paralímpicos, (Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000) sendo agora a sua quarta participação e actualmente detentor dos títulos de paralímpicos nas provas de 200 metros e estafeta 4x400m. É ainda medalha de bronze nos 400m. Se estiver ao seu melhor nível, como é seu objectivo.Para assistir de perto estará uma convidada muito especial, Rosa Mota, que chegou ontem a Atenas e ficará até ao encerramento dos Jogos Paralímpicos, podendo dar assim todo o seu apoio e motivação. com Lusa