Estava internado desde domingo no Hospital Amadora-Sintra

Morreu Henrique Mendes

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O apresentador de televisão Henrique Mendes morreu esta tarde no Hospital Amadora-Sintra, onde estava internado desde domingo. Henrique Mendes tinha 73 anos.

A mulher, a actriz Glória de Matos, disse ontem que o marido estava a lutar contra um tumor que, no último mês, teve uma evolução muito rápida e que anteontem o seu estado de saúde piorou, tendo ficado com alguma dificuldade em respirar devido a uma infecção pulmonar.

Henrique Mendes iniciou a sua carreira na Rádio Renascença, em 1950, como locutor. Passou depois para a RTP, onde apresentou o primeiro Festival da Canção e o Telejornal durante um longo período. Depois da Revolução de 1974 foi para o Canadá, onde viveu até 1979, ano em que regressou para a Renascença.

Há onze anos começou a trabalhar para a SIC, como anfitrião do programa Caça ao Tesouro. O Ponto de Encontro, que apresentou durante seis anos, foi um dos momentos altos da sua carreira mais recente. Também na SIC, estreou-se na representação, na série Médico de Família.

Raul Solnado recorda "grande estrela de televisão"

O actor Raul Solnado recorda Henrique Mendes como "uma grande estrela de televisão" e "amigo de há muitos anos", apesar de nunca terem trabalhado juntos.

"Entrevistou-me algumas vezes, mas o nosso convívio era de há muitos anos, desde que ele entrou para a televisão", afirmou o actor à Lusa, sublinhando que Henrique Mendes foi "muito emblemático, um grande galã".

Raul Solnado recordou ainda o tempo em que Henrique Mendes viveu no Canadá, depois "da grande maldade de ter sido despedido da RTP na altura da Revolução".

"O Henrique Mendes foi acusado de ser locutor da RTP no regime fascista e no Canadá, onde o visitei várias vezes, viveu com profunda tristeza porque queria voltar para Portugal", disse o actor.

Raul Solnado elogiou ainda a faceta de actor de Henrique Mendes, que representou na série Médico de Família, aproximando-se assim dos mais novos.

"Não tinha a menor ideia, nem ele se calhar, mas provou ser um grande actor", afirmou Raul Solnado, que dos primeiros anos de amizade desconhecia a paixão pela representação.

"Morreu uma fatia da história da RTP"

Por seu lado, o director de programas da RTP, Luiz Andrade, afirmou que, com a morte do apresentador Henrique Mendes, "morre uma grande fatia da televisão profissional e da história da RTP".

"Costuma dizer-se sempre bem das pessoas quando morrem, mas a verdade é que Henrique Mendes foi um grande português, que adorou o seu país, e um grande profissional", afirmou Luiz Andrade.

O responsável de programas da estação pública recordou também o tempo em que dirigiu "quase todos os programas" onde Henrique Mendes entrou, sobretudo as transmissões do Festival da Canção.

"O Henrique era um homem que fazia os programas de variedades, as grandes transmissões da RTP", recordou Luiz Andrade, lamentando o facto de o apresentador ter sido afastado da estação de televisão com a Revolução de Abril de 1974.

"Ele tinha que dar as notícias do país e fazer o melhor que podia, independentemente da ideologia política", defendeu o mesmo responsável.

Luiz Andrade admitiu ainda ter de prestar a "maior homenagem" à SIC por ter "estendido a mão" a Henrique Mendes, afirmando que "devia ter sido a RTP a fazê-lo".

A RTP1 vai transmitir esta noite um especial do programa de Júlio Isidro "Tributo a..." dedicado a Henrique Mendes. O canal 2 também presta homenagem ao apresentador, transmitindo, às 23h30, "Alfredo é só Fado".

SIC: "Será sempre um grande nome da história da TV"

Já o director de programação da SIC, Manuel Fonseca, afirmou que Henrique Mendes será sempre um dos grandes nomes da história da televisão em Portugal.

"A SIC deve-lhe muito", admitiu o director, recordando alguns dos programas de Henrique Mendes que fizeram história na estação, a última à qual o apresentador esteve ligado.

"Um dos programas que, nos últimos anos, mais marcou a afectividade dos portugueses foi, sem dúvida, o Ponto do Encontro", disse, acrescentando que "a sensibilidade e a genuína empatia de Henrique Mendes com os protagonistas desse programa constituiu um ponto alto da sua carreira e da missão de serviço público que era timbre dessas emissões".

Manuel Fonseca acredita que Henrique Mendes nunca será esquecido enquanto homem e enquanto apresentador. "Não o esqueceremos e, mais importante ainda, o público português vai recordá-lo sempre com saudade e com afecto", referiu o responsável, sublinhando uma sentida homenagem "à família deste grande homem de televisão".