Museu marítimo australiano encontrou navio português afundado em 1816

Juntamente com o navio foram encontradas cerca de mil moedas de prata espanholas, dois canhões, âncoras, lemes, um grande lastro e um sino de bronze, indica o museu.

Em declarações à Lusa, o director do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), Francisco Alves, congratulou-se com a descoberta do "Correio da Ásia", encontrado por "uma das mais famosas equipas de arqueologia subaquáticas".

Quanto às peças históricas, Francisco Alves considera que tanto o navio como os documentos estão "nas melhores mãos possíveis" porque "a Austrália lida exemplarmente com o património histórico".

Portugal não tem "espaço diplomático nem político para exigir a um país a devolução do seu património histórico" e como "o que interessa à arqueologia é a preservação dos documentos", o director do CNANS defende que o "Correio da Ásia" está "em boas mãos" porque a Austrália é um exemplo nessa matéria.

O responsável diz que "Portugal deve apenas regozijar-se pela descoberta e manifestar interesse em acompanhar o progresso dos trabalhos".

Para o cônsul honorário de Portugal em Perth, João Augusto Madeira, a descoberta do navio também se "revela importante na medida em que é a primeira prova da passagem de embarcações portuguesas pela Austrália".

Também a ministra da Cultura australiana, Sheila McHale, afirmou que "o 'Correio da Ásia' é o primeiro navio histórico português afundado a ser descoberto em águas australianas".

Segundo a ministra, "o navio estava com toda a certeza armado e transportava correio, passageiros importantes e especiarias" quando embateu num recife e se afundou.

"A sua descoberta vai abrir novas portas para sabermos mais sobre o poder da Europa colonial na região", acrescentou.

Com a descoberta do navio, o museu termina uma busca que durava há mais de 16 anos, segundo o Ministério da Cultura australiano.

O naufrágio do navio era desconhecido até 1988, quando documentos importantes, incluindo o diário do capitão, foram descobertos em Lisboa.

Desde então, o Museu Marítimo da Austrália Ocidental destacou três expedições para encontrar o navio, sem sucesso até agora, afirmou o Ministério da Cultura.

A localização exacta do "Correia da Ásia" vai permanecer confidencial até o Museu recuperar peças para identificação e estar estabelecido um plano para garantir a preservação do local.

A história do "Correio da Ásia" permanece desconhecida porque um incêndio nos serviços onde está instalada a Marinha fez desaparecer muitos documentos.

Contudo, o Museu Marítimo da Austrália Ocidental indica que alguns sobreviventes do naufrágio conseguiram chegar até Macau no barco de salvamento do "Correio da Ásia" e regressaram a Lisboa numa embarcação chamada "Emília".

A informação do navio tem por base o diário do capitão do "Emília", Luís António da Silva Beltrão, que escreveu que seguiam a bordo do seu navio alguns tripulantes do "Correio da Ásia" e o seu ex-capitão, João Joaquim de Freitas.

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