Em Portugal

Dia Nacional de Luta contra a Obesidade comemora-se pela primeira vez no sábado

A OMS reconhece a obesidade como problema de saúde pública
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A OMS reconhece a obesidade como problema de saúde pública Adriano Miranda/PÚBLICO

O Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade assinala-se pela primeira vez em Portugal este sábado e tem como missão consciencializar as pessoas dos riscos desta doença que afecta quase quatro milhões de portugueses.

A iniciativa é da Associação dos Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (Adexo) e teve o aval do Governo, que instituiu o penúltimo sábado de Maio como a data oficial para comemorar este dia.

O Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade pretende demonstrar que a obesidade é um problema sério de saúde e um dos principais factores que contribui para o desenvolvimento de doenças como o cancro, diabetes, enfarte cardíaco e a hipertensão.

Com esta data, que a associação diz ser inédita em todo o Mundo, pretende-se chamar a atenção de todas as entidades, instituições públicas ou privadas e do obeso para esta doença e para a necessidade do seu tratamento urgente.

O objectivo final é o de que os números da doença não subam assustadoramente como as estatísticas prevêem, indica a associação.

A Direcção-Geral de Saúde considera que se não se fizer nada para combater a obesidade, cerca de 50 por cento da população portuguesa poderá ser obesa em 2025.

Para isso, é necessário "mudar a forma como as pessoas encaram as dietas e a necessidade de perder peso e a criação de hábitos de lazer mais saudáveis ligados ao exercício físicos", refere Carlos Oliveira, responsável da Delegação de Lisboa e do Sul da Adexo.

"A maior parte das pessoas ainda encara a perda de peso como um problema do foro estético e continuam a aderir às dietas e tratamentos disponíveis, sem qualquer certificação ou reconhecimento científico", refere a associação.

Para combater a doença, é preciso educar as pessoas para os riscos associados à obesidade e sensibilizar as crianças e os jovens para este problema.

Segundo a associação, a obesidade é uma das doenças crónicas mais comuns na infância e a sua prevalência continua a registar um aumento "demasiado rápido".

"Cerca de um terço das crianças obesas em idade pré-escolar vão tornar-se adultos obesos e metade das crianças entre os seis e os dez anos vão ser certamente adultos com excesso de peso", estima a associação.

"É preciso alertar os adultos para este problema e limitar as campanhas que apelam para a alimentação de menor qualidade, a troco de brinquedos e com graves consequência no futuro dessas crianças e da saúde pública nacional", defende Carlos Oliveira, que há cerca de dois anos pesava 152 quilos e que graças à colocação de uma banda gástrica no estômago pesa actualmente 96.

A melhor maneira de evitar as doenças relacionadas com a obesidade é manter o peso dentro dos seus limites normais e para isso é necessário fazer uma alimentação saudável, onde a sopa pode ter um papel fundamental.

Quem o afirma é o presidente da Confraria da Sopa, Carlos Silva Santos, que defende o regresso daquele prato à mesa dos portugueses, para combater o colesterol e a obesidade.

Para assinalar o Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade, instituído oficialmente no passado dia 4 de Maio, a Adexo convida todos, mas em especial os mais gordinhos, a descolarem-se no sábado ao Parque das Nações, em Lisboa, entre as 09h00 e as 18h00, para participar nas diversas actividades promovidas pela associação.

Várias tendas com fóruns sobre temas relacionados com a obesidade, aulas de ginástica, exposições temáticas, rastreios à obesidade e cardiológicos e passeios pedonais e de bicicleta, são algumas das actividades que vão decorrer naquele espaço.

Em Portugal, existem cerca de quatro milhões de pessoas com excesso de peso, dos quais aproximadamente um milhão são obesos declarados e cerca de 380 mil são super-obesos, ou seja, que ultrapassam certos valores numa escala que relaciona o peso e a altura da pessoa.

Na escala, valores a partir de 35 indicam obesidade severa, valores entre 40 e 50 indicam obesidade mórbida e superiores a 50 super-obesidade.

Os super-obesos, segundo a associação, "gastam milhões de euros ao Estado nas comparticipações das doenças que lhe estão associadas".

"Só ao nível da diabetes tipo 2 - doença em que o doente ainda não é insulino-dependente e cujo tratamento é comparticipado em cem por cento -, estima-se que o Estado poderia poupar cerca de 15 milhões de euros, caso tratasse correctamente a obesidade", exemplifica a Adexo.

A Organização Mundial de Saúde reconhece a obesidade como um problema de saúde pública e apresenta-a como um dos dez factores de risco para a saúde global.