Vice-presidente da Câmara do Porto diz que sopa dos pobres é uma "inutilidade social"

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A entrega de comida aos sem-abrigo não estimula à saída das ruas, diz o autarca Kamal Kishore/Reuters

"Quando se dá uma malga de sopa a alguém que está na rua, não se está a contribuir para o recuperar, mas para o manter naquela situação", disse o também presidente da Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto (FDSP), instituição camarária que lançou o projecto "Porto Feliz", de combate à exclusão.

Segundo Paulo Morais, o programa "Porto Feliz", que adquiriu maior visibilidade na recuperação de arrumadores de automóveis, significou uma "ruptura" com essas práticas "que só serviam para manter a exclusão" e um "divórcio com aqueles que fazem da acção social um negócio".

Definindo o "Porto Feliz" como um "hospital social", Paulo Morais disse que o programa "foge à lógica de 'guichet' e funcionário público, que trabalha das nove às cinco da tarde, à espera que o procurem". Na sua perspectiva, a eficácia de programas sociais só se obtém numa lógica pró-activa, "indo à procura dos problemas". "Na cidade do Porto, hoje ninguém, por muito excluído que esteja, se encontra completamente ao abandono", garantiu.

O autarca falava no segundo de três dias do seminário "Democracia, Segurança e Inclusão", que reúne no Porto cerca de 40 centros de estudo de toda a Europa, tendo abordado o tema "Porto Feliz: opções e estratégias de acção da autarquia".

Nem Paulo Morais nem o director-geral do "Porto Feliz", Carlos Mota Cardoso, avançaram números sobre os progressos alcançados com o projecto.

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