Requalificação da Rotunda da Boavista concluída em Dezembro

Um salão de chá, bancos restaurados e iluminação reforçada, novas árvores e, em vez das plantas, relvado, numa lógica de abertura do jardim à cidade. Eis um retrato "a la minuta" da futura Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista). O projecto foi apresentado ontem à tarde, numa conferência de imprensa que contou com as presenças dos arquitectos Siza Vieira e Souto Moura, além dos responsáveis autárquicos do Ambiente e do Urbanismo, Rui Sá e Ricardo Figueiredo, respectivamente, e de João Rebelo, director da Empresa Metro do Porto. O próximo mês de Dezembro foi a data apontada para a conclusão de toda a empreitada, que engloba a construção de uma passagem subterrânea de ligação entre as duas estações do metro (Boavista e Casa da Música) e a criação de três faixas de rodagem no anel exterior ao jardim, enquanto uma quarta faixa ficará reservada ao estacionamento e a cargas e descargas. "A filosofia passa por dar à Rotunda da Boavista uma dignidade que, se calhar, nunca teve ao longo da história, transformando-a num espaço de maior gozo pessoal e colectivo", sintetizou Ricardo Figueiredo. O titular do Urbanismo reconheceu que, uma vez concluída a requalificação dos espaços colectivos, numa operação pensada em articulação com a Casa da Música e com as duas estações do metro de superfície, ficará apenas a faltar "a requalificação dos edifícios envolventes". A hipótese de serem criados um café e um restaurante no jardim da Rotunda da Boavista chegou a ser aventada. Mas o projecto que Siza Vieira e Souto Moura ontem apresentaram contempla apenas a criação de uma casa de chá ("baixinha e envidraçada", segundo Siza Vieira), no enfiamento da Avenida de França. Do mesmo modo, será recuperado um quiosque antigo. Além disso, o redondo em torno da estátua central será alargado cerca de um metro, os bancos antigos ("os mais bonitos", ainda segundo Siza) serão restaurados e os mais recentes substituídos, enquanto os candeeiros verão reforçado o poder de iluminação. Em termos arbóreos também foram apresentadas novidades. Nove árvores serão abolidas, "por força do seu estado fitossanitário", e 24 de pequena dimensão serão transplantadas e posteriormente substituídas por outras de maior porte, segundo Rui Sá, que continua à espera de certezas mais sólidas quanto ao estado de saúde de outras 13 árvores. Pelo menos 125 vão manter-se. Já os canteiros deverão ver recuperado o padrão original ("vão perder os rodriguinhos", sublinhou Siza) e algumas plantas serão substituídas por relva, numa tentativa de facilitar a abertura do jardim à cidade. A requalificação à superfície daquele jardim romântico recua assim às origens, devendo a sua primeira fase, iniciada em Fevereiro passado, ficar concluída até ao final de Maio, segundo o director da Metro do Porto, João Rebelo. Haverá um interregno nas obras durante os meses de Junho e Julho, por causa do Euro 2004, e depois, então sim, a empreitada será retomada para a conclusão da passagem pedonal subterrânea e do edifício que acolherá a casa de chá. A intervenção só deverá ficar globalmente concluída em Dezembro. Quanto a custos, a Metro do Porto disponibilizou sete milhões de euros para a primeira fase das obras, que não cobrem os equipamentos, mas que chegam para os arranjos que serão efectuados nas ruas que desembocam na rotunda. CXS. João não regressa à Rotunda A decisão ainda não é oficial, mas os festejos de S. João não deverão regressar à Rotunda da Boavista. Pelo menos este ano, por razões que decorrem da intervenção que está a ser feita naquela rotunda. "Na dúvida sobre se o novo piso permite o funcionamento dos equipamentos mecânicos que o S. João supõe não o vamos fazer", disse o presidente da junta de Freguesia de Cedofeita, Sérgio Martins. Futuramente "vamos ver como será", acrescentou o autarca, recusando assim dar a solução como definitiva. Também o vereador do Ambiente, Rui Sá, fez questão de deixar claro que a requalificação em curso na rotunda não inviabiliza o regresso dos festejos ao local. "Vai ter que ser tomada uma decisão política a esse respeito", avisou, discordando assim da opinião manifestada pelo arquitecto Siza Vieira, para quem "o S. João deve ser à beira-rio e não naquele local, que é muito limitado". A decisão de deslocar os festejos da Rotunda da Boavista para a zona antiga da cidade foi tomada ainda durante o consulado do autarca socialista Fernando Gomes. O ano passado, apesar de as actividades festivas se terem concentrado maioritariamente na Ribeira, ensaiou-se um regresso, ainda que tímido, à Rotunda da Boavista. Este ano essa hipótese está definitivamente afastada.