Av. da Igreja rejeita parque de estacionamento

Os moradores e comerciantes da Avenida da Igreja, em Alvalade, estão contra a construção do parque de estacionamento subterrâneo que a Câmara de Lisboa pretende ali fazer e cujos direitos de subsolo já cedeu à Bragaparques - apesar de não haver ainda um projecto definido e a decisão ter sido suportada apenas por um estudo prévio.Para se construir o parque, haverá que cortar todas as árvores da avenida, que permanecerá cerca de um ano e meio em obras e sem trânsito, uma visão que arrepia a maior parte dos moradores e comerciantes - alguns dos quais comunicaram desde logo o seu desagrado na reunião da assembleia de freguesia, há alguns meses."A circulação automóvel vai ter de ser fechada, porque a obra será feita a céu aberto e por fases", disse ao PÚBLICO Esmeraldo Cruz, vice-presidente da Junta de Freguesia de S. João de Brito, que admite haver contestação à obra. Um abaixo-assinado está a circular nos cafés e estabelecimentos do bairro, para ser enviado a Santana Lopes, a quem os munícipes pretendem manifestar a sua oposição à decisão tomada, que para ser válida terá de ser ratificada em Assembleia Municipal.O assunto chegou a ser apresentado a este órgão mas, por suscitar dúvidas, foi remetido para a comissão permanente de Urbanismo, Rede Viária e Circulação, que o analisará na próxima quinta-feira. O parecer que venha a ser dado pela comissão será depois votado pelos eleitos da Assembleia Municipal, numa reunião ainda sem data marcada.O estudo prévio apresentado pela Bragaparques à CML prevê a construção de um parque de estacionamento com 520 lugares, em dois pisos de subsolo, ao longo de grande parte da Av. da Igreja: entre a saída da estação do Metro (Largo do Santo António, como é conhecido) e o Largo Frei Heitor Pinto, ou Largo da Igreja.A ideia de construir estacionamentos subterrâneos em Alvalade não é nova e no anterior mandato, em 1997, constituíram-se duas associações de moradores com esse objectivo: uma congregando gente da zona do Largo Frei Heitor Pinto e outra onde se juntaram moradores da da Rua José Duro.Teresa Costa, arquitecta, é uma das moradoras que passou pelo complicado processo de criar a Associação de Moradores do Largo Frei Heitor Pinto, da qual é ainda hoje presidente, para que se pudesse criar um parque de estacionamento. Chegou a ter um ante-projecto aprovado pela autarquia, que para o efeito cedera à associação os direitos de subsolo. "Desde 1998 que estamos a pagar contribuição autárquica sobre a cedência desses direitos de subsolo. Tinham já sido feitos estudos pela Somague, o ante-projecto estava aprovado e agora vêm-nos dizer que afinal o que se vai construir é na Av. da Igreja, pela Bragaparques, a quem a câmara isenta por 25 anos o pagamento de contribuição autárquica. É inadmissível", protesta. E o que mais indigna Teresa Costa é o facto de a câmara nem sequer prever quaisquer direitos à meia centena de moradores que se haviam empenhado na construção do parque no Largo Frei Heitor Pinto. "Disseram-nos que não podiam garantir lugares cativos e que iam tentar negociar com a Bragaparques talvez um desconto de dez por cento. Mas os associados não estão dispostos deixar cair o projecto de criar um parque no largo", salientou.O contacto com a EMEL também não foi o mais salutar. O presidente da EMEL "disse-nos que a empresa não estava vocacionada para construir parques de estacionamento e que a avançar com algum seria o da José Duro", algo que Teresa Costa não compreende. "Porque há um tratamento diferenciado entre os moradores do Largo e os da José Duro é algo que não entendo", afirma.Outra questão preocupante respeita às alterações que a obra provocará no ambiente da Av. da Igreja, não só enquanto estiver a ser executada mas no futuro. São várias as versões apresentadas sobre o aspecto final desta artéria, conhecida por ter passeios largos e muitas árvores.Segundo Esmeraldo Cruz, que cita informações prestadas pela câmara, depois da obra feita "as árvores serão repostas e os passeios poderão até aumentar de largura", apesar de estarem previstas várias entradas e saídas do parque ao longo da avenida.A versão que foi apresentada à Assembleia Municipal de Lisboa aponta para seis entradas e saídas para os automóveis ao longo da Av. da Igreja, o que implicaria uma alteração profunda no seu perfil, pois - como salienta o arquitecto Francisco Silva Dias - essas entradas ocupam mais de 20 metros cada. Mas, segundo Esmeraldo Cruz, "ainda não há um projecto definitivo".