Lipor cria Plano Estratégico Ambiental para o Grande Porto

Investigadores da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) e a Lipor - a empresa que faz a gestão de resíduos do Grande Porto - estão a trabalhar em conjunto para a colocar em prática ainda este ano o "Futuro Sustentável". É assim que se chama o Plano Estratégico de Ambiente do Grande Porto, apresentado ontem durante o seminário "Rumo à Sustentabilidade", evento organizado pela própria Lipor na Exponor. A ideia é fazer um diagnóstico ambiental da área metropolitana para, no futuro, ser possível traçar soluções comuns ou integradas para os vários concelhos. Indagado pelos participantes sobre o facto de não ser a própria Junta Metropolitana do Porto (JMP) a liderar este projecto, Fernando Leite, administrador-delegado da Lipor, explicou que, como "a JMP não interveio neste domínio", a Lipor viu-se obrigada a assumir o projecto, sob pena de se perderem fundos comunitários para fins ambientais. O engenheiro Nuno Quental, da ESB, completou este raciocínio ao afirmar que, "mesmo não tendo estas incumbências", a Lipor "se substituiu aos órgãos competentes para que este plano pudesse ter liderança". Rui Sá, vereador do Ambiente da Câmara do Porto, também reconheceu ao PÚBLICO que "a JMP nunca teve capacidade dinamizadora", à excepção do metro, para projectos como o "Futuro Sustentável". Durante a sua comunicação, o engenheiro Nuno Quental adiantou que já estão a ser criados Conselhos Municipais de Ambiente em vários municípios. Estas estruturas depois farão parte, embora sem direito a voto, do chamado Grupo Coordenador. "Entendemos que o poder de decisão deve ficar na mão das autarquias", explicou Nuno Quental. Além das câmaras, também terão peso eleitoral na coordenação do "Futuro Sustentável" os vários parceiros estratégicos - nomeadamente a Associação Empresarial de Portugal, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, a Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho, a Ordem dos Engenheiros e, por fim, a União Distrital das Instituições de Solidaridade Social. Porto, Maia e Póvoa de Varzim já criaram os seus Conselhos Municipais de Ambiente, sendo que os restantes municípios terão de fazê-lo até ao final de Outubro. Outra exigência do Futuro Sustentável é a subscrição da Carta de lborg, um documento de 1994 que relaciona um conjunto de compromissos ambientais. Matosinhos, por exemplo, ainda não assinou a Carta nem constituiu o conselho de ambiente. Guilherme Pinto, vereador do Ambiente da Câmara de Matosinhos, garante em "em breve" estas duas situações estarão resolvidas. Além do diagnóstico ambiental, o "Futuro Sustentável" prevê várias iniciativas a curto prazo. Ainda este mês será lançado um boletim ambiental do Grande Porto, bem como um portal na internet (www.futurosustentavel.org). Da ambiciosa lista de metas a alcançar, consta ainda a criação de um directório de projectos de educação ambiental, um concurso, reuniões com juntas de freguesia e parcerias com a imprensa local.(Caixa)Gaia não participa no projecto O projecto "Futuro Sustentável" da Lipor não abrange todos os municípios da Área Metropolitana do Porto, embora pretenda fazer uma diagnóstico ambiental desta zona. Vila Nova de Gaia não participa na iniciativa, o que era previsível uma vez que este município também não integra a Lipor. "Gaia é um problema para nós. Esta câmara tem sido sistematicamente convidada para participar na Lipor. Mas não podemos parar os nossos projectos enquanto isso", afirmou Fernando Leite, administrador-delegado da empresa de gestão de resíduos urbanos. Por fim, o responsável admitiu haver também "bloqueamentos" por parte outras edilidades. Rui Sá, verador do Ambiente da Câmara do Porto, admite ainda que a ausência de Gaia pode reduzir as ambições metropolitanas do projecto, mas lembrou que, no âmbito do Eixo Atlântico, as duas margens do rio Douro já estão a trabalhar em paralelo. Na sua opinião, o Porto ganha em participar nestas duas iniciativas, que podem assim funcionar em complementaridade. Há quem acredite que a vertente ambiental deste projecto para o Noroeste Peninsular possa, de alguma forma, ser redundante em relação ao "Futuro Sustentável". O engenheiro Nuno Quental, da ESB, não concorda: "O Futuro Sustentável não duplica os esforços do Eixo Atlântico, isso porque o nosso plano tem uma abrangência metropolitana e o outro municipal. Além disso, o nosso trabalho é mais extenso e aprofundado".