Municípios afirmam que a via continua a ser responsável por vários acidentes

Autarcas do distrito de Leiria contestam atraso na construção da variante ao IC2

Os presidentes das câmara de Porto de Mós, Batalha e Leiria contestaram hoje o atraso na construção da variante da Batalha ao IC2, afirmando que a via continua a ser responsável por vários acidentes mortais.

"O projecto parece a obra da Santa Engrácia, parte dois", disse José Ferreira, presidente da Câmara de Porto de Mós (PSD) e da Associação de Municípios da Alta Estremadura, acusando o Governo de "ignorar os problemas da região", nomeadamente no que respeita às acessibilidades.

Desde 1997 que a variante da Batalha está prometida, mas o projecto ainda nem sequer está elaborado, acusou José Ferreira, lamentando que a tutela não considere esta intervenção como uma prioridade.

"A variante foi prometida pelo primeiro-ministro António Guterres, em 1997, e agora, na proximidade do Euro2004, tudo está por fazer e temo que esta via vá ser um pandemónio perfeito", afirmou o autarca.

Os autarcas defendem que a variante vai salvaguardar a zona fronteira do Mosteiro da Batalha, Património da Humanidade, criando um novo corredor viário para o trânsito da zona, que é considerado um dos mais intensos do país.

O elevado número de empresas e a forte densidade populacional da zona faz com que o troço do IC2, entre Alcobaça e Leiria, seja uma "avenida urbana sem condições para o elevado número de automóveis que a atravessa", explicou José Ferreira.

Para o autarca social-democrata, "é tempo que o Governo olhe também para a região e não se fique apenas pelos elogios à sua capacidade".

Também António Lucas, presidente da Câmara da Batalha, disse à Lusa que já enviou comunicações aos ministros das Obras Públicas e das Cidades, contestando o atraso na construção da via, que estava em fase de avaliação de impacto ambiental em Novembro. Desde essa data, o processo "está bloqueado", afirmou o autarca, criticando a proposta de corredor para a variante do Instituto de Estradas de Portugal, que "não serve os interesses das populações".

Nas cartas enviadas, António Lucas afirma ter solicitado "a máxima urgência" para um debate sobre o estudo de impacto ambiental no terreno. "Não podemos continuar a agir calmamente, quando os nossos concidadãos morrem diariamente neste troço do IC2. Esta situação é demasiado grave para ser tratada como um 'dossier' normal", alegou.

Para o presidente da Câmara da Batalha, o IC2 é "um autêntico poço da morte e não se vê qualquer andamento dos processos", o que demonstra "falta de vontade em resolver o problema".

A presidente da Câmara de Leiria, Isabel Damasceno (PSD), subscreveu as posições dos seus vizinhos autarcas, lamentando que os vários acidentes neste troço não tenham sensibilizado a administração central.

Isabel Damasceno admitiu que os autarcas assumam "posições mais incisivas para conseguir obter a melhoria da estrada", mas não adiantou mais pormenores.