Fernando Lopes da Silva

Neurocientista diz que investigação em Portugal tem de ser mais ousada

O neurocientista Fernando Lopes da Silva defendeu hoje a necessidade de arriscar em projectos de investigação científica mais ousados, para Portugal se aproximar da média mundial neste domínio.

"São necessários projectos mais ousados, é preciso arriscar. Para ter impacto, devem fazer-se coisas inovadoras", sublinhou o cientista, a quem foi entregue hoje a primeira edição do Prémio Universidade de Coimbra (UC).

Ao intervir na cerimónia, integrada na sessão solene comemorativa do 714º aniversário da UC, o professor jubilado da Universidade de Amesterdão sublinhou a importância de "estimular uma investigação original, inovadora, com grande ousadia, no ensino e nas empresas".

"É preciso criar condições para que as pessoas sejam mais ousadas, estimulando a criatividade desde a escola primária e não o ensino livresco", sustentou perante a numerosa assistência presente no auditório da UC.

Na sua intervenção, intitulada "A investigação científica portuguesa vista de fora para dentro", Fernando Lopes da Silva enumerou alguns dados que colocam Portugal na cauda da Europa neste campo e destacou também a necessidade de formar grupos de investigação com massa crítica, incluindo investigadores, técnicos e estudantes.

Para o primeiro galardoado com o Prémio Universidade de Coimbra, é também preciso criar pólos de excelência no campo da investigação científica, incorporando no sistema muitos estrangeirados, e criar medidas de atracção de pós-doutorandos do estrangeiro.

Romão Ribeiro, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, defendeu ser "preciso caçar talentos e não se pode fazer isso oferecendo o bom clima ou a boa alimentação do país". Na sua óptica, "os critérios de financiamento aos centros de investigação têm de ser corrigidos, privilegiando aqueles que obtém uma classificação de desempenho de excelente e muito bom".

O prémio Universidade de Coimbra, no valor de 25 mil euros, é atribuído ao abrigo de um protocolo entre a UC e o grupo bancário Totta.

Ao intervir na sessão, o reitor da UC, Fernando Seabra Santos, destacou a estratégia do seu reitorado de abrir a instituição à sociedade e vincou a importância de concentrar esforços no futuro.

Durante a cerimónia foi também anunciada a atribuição do Prémio Bluepharma - Universidade de Coimbra 2003 a Osvaldo Correia, da Faculdade de Medicina do Porto.

No dia em que celebrou a sua fundação, a 1 de Março de 1290, pelo rei D. Dinis, a UC arrancou também com a Semana Cultural, este ano dedicada ao tema "A Cultura Científica em Portugal e no mundo".