Para discutir futuro da União Europeia

Sampaio promove mini-cimeira de chefes de Estado europeus em Arraiolos

A escolha dos convidados de Jorge Sampaio para Arraiolos baseou-se em critérios de equilíbrio
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A escolha dos convidados de Jorge Sampaio para Arraiolos baseou-se em critérios de equilíbrio João Abreu Miranda/Lusa

O Presidente da República, Jorge Sampaio, vai reunir-se amanhã, em Arraiolos, com mais cinco chefes de Estado de países europeus, num encontro informal que tem como objectivo transmitir uma mensagem de confiança sobre o futuro da União Europeia.

Até domingo, vão estar em Arraiolos, além de Jorge Sampaio, os chefes de Estado da Alemanha (Johannes Rau), Finlândia (Tarja Halonen), Hungria (Ferenc Madl), Letónia (Vaira Vike Freberga) e Polónia (Aleksander Kwasniewski).

Amanhã à noite, o primeiro-ministro português, Durão Barroso, juntar-se-á ao grupo dos Presidentes europeus, participando num jantar, acompanhado pela titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, Teresa Gouveia, e pelo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Costa Neves.

Com a participação do primeiro-ministro no jantar dos chefes de Estado, a Presidência da República procurou sublinhar a ideia de que esta iniciativa de Jorge Sampaio "foi desde o início coordenada com o Governo" de Durão Barroso.

A mini-cimeira de chefes de Estado foi inicialmente pensada pelo Presidente da República para se realizar em Abril do ano passado, mas a crise internacional provocada pela intervenção anglo-americana no Iraque obrigou Sampaio a adiar a reunião por alguns meses.

Da parte da Presidência da República, sublinha-se que Jorge Sampaio tentou reunir um grupo de chefes de Estado com poderes semelhantes aos seus, factor que justifica a não inclusão neste "grupo dos seis" de outros Presidentes da União Europeia com poderes muito superiores, como é o caso do francês Jacques Chirac.

No final dos trabalhos, o "grupo dos seis" não emitirá um comunicado formal de conclusões para influenciar directamente os trabalhos em curso ao nível da Conferência Intergovernamental dos 25 países que preparam a reforma institucional da União Europeia. "Não temos como objectivo fazer uma Conferência Intergovernamental paralela", realçou um dos principais conselheiros do Presidente da República, salientando que o objectivo do diálogo "será o de enviar uma mensagem de confiança sobre o processo de construção europeia".

Em Arraiolos, os chefes de Estado vão debater quatro temas considerados centrais para a União Europeia: alargamento, política externa e de segurança comum, desenvolvimento económico-social e cidadania europeia.

"Após a discussão destes temas, cada chefe de Estado fará deles o uso que entender junto dos respectivos chefes de Governo e Parlamentos nacionais, mas acreditamos que o resultado de Arraiolos transcenderá o âmbito dos seis países reunidos", sublinhou um elemento do gabinete de Jorge Sampaio.

Segundo o Palácio de Belém, Jorge Sampaio procurou também critérios de equilíbrio na escolha dos chefes de Estado que convidou para Arraiolos. Por essa razão, entre os cinco países convidados estão dois membros actuais da União Europeia, a Alemanha e a Finlândia, e três países do alargamento, Hungria, Letónia e Polónia.

O Presidente da República teve ainda a preocupação de escolher dois países europeus com grande peso populacional — casos da Alemanha e Polónia — e três de pequena ou média dimensão.