Oposição acusa Portas de ter discurso xenófobo

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O CDS-PP argumenta que Portas se limitou a defender a regulação do fluxo migratório Rui Gaudêncio (PÚBLICO)

As críticas a Portas começaram com o deputado do PCP António Filipe a afirmar que "o Governo não pode ter duas caras em política de imigração". E argumentou que por um lado está o ministro da Defesa a sustentar "um discurso político anti-imigrantes, que é próprio dos partidos mais radicais da direita europeia" e por outro o eurodeputado do PSD Pacheco Pereira a classificar o mesmo discurso como "copiado da vulgata" do dirigente da extrema-direita francesa Le Pen e a afirmar que "o secretário de Estado [adjunto do ministro da Presidência] Feliciano Barreiras Duarte foi mandatado para desautorizar o ministro de Estado".

Às palavras de António Filipe juntaram-se as do socialista Vitalino Canas, que exigiu ao primeiro-ministro, Durão Barroso, que esclareça se concorda "com o discurso a raiar a xenofobia" de Paulo Portas.

O deputado lançou ainda o repto aos partidos da maioria PSD/CDS-PP que esclareçam se, nas próximas eleições europeias, vão defender a União Europeia e a integração de imigrantes, ou se vão seguir a linha do ministro da Defesa.

CDS-PP indignado com acusações

Em resposta, o deputado do CDS-PP Nuno Melo lembrou que o seu partido "esteve sempre ao lado da democracia" e, por vezes, nesse combate, ao lado do PS. "Não percebo como se atreve a falar em xenofobia quando se dirige ao CDS-PP", frisou Nuno Melo, para quem Paulo Portas se limitou "a constatar a existência de uma crise de emprego em Portugal" e, em consequência, "a defender a regulação do fluxo migratório".

O também deputado popular João Almeida acusou, por sua vez, António Filipe de ter feito "uma intervenção demagógica" e de desconhecer "o exacto teor do discurso feito por Paulo Portas" na "reentré" política do CDS. "A política de imigração defendida por Paulo Portas nada tem a ver com as posições selvagens preconizadas por Le Pen, mas o discurso do PCP sobre o Iraque é igual ao de Le Pen", acusou.

Teixeira Lopes, do Bloco de Esquerda, que "o discurso de Paulo Portas está entre os que são feitos por Umberto Bossi [italiano, líder da Liga Norte] e Le Pen", considerando "estranho o silêncio do PSD" ao longo do debate.

"Esse silêncio do PSD dá jeito. Deixa o discurso demagógico e populista para Portas e aparece depois como um partido responsável", comentou o dirigente bloquista.

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