Depois de uma segunda missão para tapar fissuras

Carcaça do "Prestige" derrama 20 litros de fuelóleo por dia

A Repsol-YPF reviu em baixa a quantidade de fuelóleo nas duas partes do petroleiro afundado
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A Repsol-YPF reviu em baixa a quantidade de fuelóleo nas duas partes do petroleiro afundado DR

As fugas de fuelóleo do petroleiro "Prestige", naufragado ao largo da costa da Galiza, estão praticamente tapadas e os buracos ainda abertos no casco libertam menos de 20 litros de combustível por dia, afirmou hoje em Vigo o número dois do Governo central de Madrid, Mariano Rajoy.

"As operações de revisão e vedação de fugas foram concluídas com sucesso. Uma vez efectuados estes trabalhos, primeiro na proa e depois na popa, calculamos que os restos do navio estejam a libertar menos de 20 litros de fuelóleo por dia", afirmou Rajoy em conferência de imprensa.

O vice-primeiro-ministro de Aznar deslocou-se ao navio "Polar Prince", onde quatro robôs trabalham desde o dia 4 de Julho para tentar tapar as fissuras do "Prestige" que libertavam cerca de 700 litros de fuelóleo por dia, depois de uma primeira operação de obstrução dos buracos realizada pelo minisubmarino francês "Nautile", a 3500 metros de profundidade.

A última missão na carcaça do "Prestige" fez com que a Repsol-YPF revisse em baixa a quantidade de fuelóleo ainda no interior das duas partes da embarcação para 13.800 toneladas (700 toneladas na proa e 13.100 na popa) contra uma estimativa que apontava para as 37 mil. A margem de erro é de "mais ou menos" dez por cento, garante a petrolífera.

Segundo Rajoy, já foram recolhidas 130 mil toneladas de matéria poluente desde a catástrofe, das quais 51 mil foram retiradas do mar e 79 mil apanhadas em terra.

A Repsol-YPF, a quem o Governo espanhol confiou os trabalhos de recuperação do fuelóleo ainda no interior do "Prestige", vai fazer na primeira quinzena de Setembro os primeiros testes para a extracção do combustível através de uma técnica que envolve a força da gravidade.

Se esta solução der resultados positivos, a extracção total só deverá acontecer entre a Primavera e o Verão do próximo ano. No caso de estas experiências falharem, a Repsol-YPF pretende envolver os destroços com chapas de metal.

O custo da primeira operação está calculado em 60 milhões de euros e a segunda em 100 milhões.

Segundo o vice-presidente da Repsol-YPF, Miguel Angel Remon, a empresa estará em condições de dar uma resposta definitiva sobre a solução que vai ser adoptada em Novembro

O naufrágio do "Prestige" aconteceu no dia 13 de Novembro ao largo da Galiza. Depois de ter andado à deriva seis dias, partiu-se em dois e afundou-se. Uma gigantesca maré negra atingiu o litoral norte espanhol parte do litoral francês.