Confirmação das Nações Unidas

Sérgio Vieira de Mello morreu no atentado contra quartel-general da ONU em Bagdad

No ataque morreram pelo menos 17 pessoas
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No ataque morreram pelo menos 17 pessoas Norbert Schiller/EPA

Sérgio Vieira de Mello, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos e enviado especial da organização ao Iraque, morreu na sequência do atentado com um camião armadilhado contra o quartel-general das Nações Unidas em Bagdad.

Sérgio Vieira de Mello acabou por sucumbir aos ferimentos causados pelo atentado. Um camião armadilhado explodiu mesmo debaixo da janela do gabinete do representante de Kofi Annan na capital iraquiana. Salim Lone, funcionário da ONU, disse à BBC que Sérgio Vieira de Mello "era o alvo" do ataque, que causou pelo menos 17 mortos e dezenas de feridos.

A responsabilidade pelo atentado ainda não foi reivindicada, à semelhança do que aconteceu com o ataque à bomba contra a embaixada da Jordânia em Bagdad, há duas semanas, que matou 17 pessoas. No complexo das Nações Unidas em Bagdad, no Hotel Canal, trabalham centenas de pessoas.

Com 55 anos e uma larga experiência em zonas de conflitos internacionais, Vieira de Mello, que foi a primeira escolha de Annan para representar a ONU ao mais alto nível no Iraque, onde se encontrava desde Maio, ficou retido nos escombros após a explosão e chegou a comunicar com o exterior através de um telemóvel.

Alto comissário da organização para os Direitos Humanos desde Setembro, Vieira de Mello não viu problemas em suspender este cargo durante apenas quatro meses, período durante o qual aceitou representar a ONU em Bagdad.

Nascido no dia 15 de Março de 1948, no Rio de Janeiro, Vieira de Mello estudou Filosofia em Paris e obteve título de doutorado pela Sorbonne. Em 1969, quando ainda estudava, começou a trabalhar no ACNUR (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados), exercendo cargos no Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique e Peru.

Foi o principal assessor das Nações Unidas no Líbano entre 1981 e 1983, no momento da invasão israelita. Depois, ocupou vários cargos de direcção no ACNUR em Genebra, antes de dirigir, em 1994, a Força de Protecção a Civis da ONU (Forpronu) para a antiga Jugoslávia, no momento mais crítico da guerra na Bósnia.

Após o genocídio no Ruanda, Vieira de Mello foi, durante alguns meses de 1996, coordenador humanitário para a região dos Grandes Lagos, no Leste da África, e depois, nomeado alto comissário-adjunto para os refugiados.

Em 1998, Vieira de Mello foi nomeado para dirigir o escritório de Assuntos Humanitários da ONU.

Defendeu com entusiasmo a acção da ONU em Timor-Leste, após a votação maciça da população a favor da independência do território. Em Outubro de 1999, foi nomeado administrador de Timor-Leste, com a tarefa de reconstruir o território devastado pela guerra.

Em Junho do mesmo ano, o diplomata brasileiro já havia sido convocado por Annan para administrar provisoriamente o Kosovo, imediatamente após a entrada das tropas da NATO e da partida dos sérvios nos Balcãs.