Presidente do PSD-Lisboa

António Preto processa órgãos de comunicação social

O presidente do PSD-Lisboa, António Preto, interpôs, ontem, várias acções judiciais relativamente aos órgãos de comunicação e respectivos jornalistas que escreveram notícias que o dão como estando sob suspeita de ter recebido financiamentos ilícitos.

Segundo o semanário "Expresso", foram escutados telefonemas de Preto com um seu cliente, no âmbito de uma investigação à escola de condução de Tábua. Nessa conversa são feitas referências a entregas a António Preto de 40 mil euros em dinheiro por parte do cliente, que estava sob investigação num caso de corrupção e branqueamento num centro de exames de condução.

António Preto, que também é deputado, tem argumentado que se tratava de pagamento de honorários e que não há crime nenhum em receber pagamentos em dinheiro. Os pagamentos terão sido feitos em Abril e Maio do ano passado, quando estava em curso a campanha para a eleição da distrital do PSD de Lisboa. Nas eleições, realizadas a 19 de Maio, António Preto ganhou a Rui Gomes da Silva.

O líder do PSD-Lisboa já pediu a destruição das gravações com o argumento de que não foram cumpridos os requisitos formais para que fossem feitas. E agora processou vários órgãos de comunicação social, pedindo uma indemnização de 500 mil euros, que promete entregar a instituições de solidariedade social, depois de deduzidos os custos do processo.

Ontem à noite, teve lugar uma reunião, já antes marcada, da Assembleia Distrital do PSD de Lisboa, órgão presidido por Manuela Ferreira Leite, e que reúne representantes de todas as secções do distrito, na qual este assunto poderá ter sido abordado.

António Preto, contudo, preferiu levar para a reunião o que chama de "linhas mestras" do arranque da distrital no Outono. Em fins de Setembro, princípio de Outubro, pretende fazer, num hotel de Lisboa, uma iniciativa sobre a reforma da função pública, que deverá juntar sindicalistas, militantes sociais-democratas e funcionários públicos. Organização, liderança e responsabilidade e qualificação e mérito dos recursos são os três temas orientadores das discussões.

Passados 15 dias, será a vez de a distrital de Lisboa discutir, nos mesmos moldes, a reforma do património. "Não estamos a falar de conferências, estamos a falar de troca de ideias", esclarece António Preto, justificando estas iniciativas pelo facto de se tratarem de reformas profundas. "Se até aqui, as reformas que se fizeram foi para dar mais eficácia a áreas como a educação e a saúde, estas vão para além disso, são reformas estruturais", diz o deputado, adiantando que, depois da discussão de cada um dos temas, será feito um documento para entregar ao Governo.

Ambas as iniciativas têm a ver com reformas do Ministério das Finanças, tutelado por Manuela Ferreira Leite, presidente da assembleia distrital do PSD-Lisboa e "madrinha" política do deputado.