Ex-militar espanhol confessa ser o "assassino do baralho"

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Os seis crimes ocorreram entre 24 de Janeiro e 18 de Março deste ano Manuel Ruiz Toribio/EFE

Num primeiro momento, o "assassino do baralho" colaborou com a polícia. Depois, desafiou os investigadores, um comportamento considerado normal em psicopatas, segundo a edição de ontem do jornal "El País".

Alfredo Galán Sotillo deu pormenores dos crimes mas baralhou algumas datas, alguns dados. A polícia diz ter a certeza de se tratar de facto do criminoso. Porém, não tem provas, para além da confissão de um homem aparentemente perturbado. Ontem, realizavam-se buscas intensivas na lixeira central de Puertollano (povoação perto de Madrid, a capital), para onde o suspeito disse ter atirado a arma, uma Tokarev calibre 7,62 de origem bósnia.

Alfredo Galán explicou aos polícias ter adquirido a arma na Bósnia, onde esteve duas vezes, quando pertencia ao Exército espanhol. Mal a segunda missão em que participou terminou, no ano passado, foi considerado inapto e expulso do Exército por falta de "condições psicológicas". Esteve alguns meses internado num hospital e depois começou a trabalhar como segurança no aeroporto de Barajas, em Madrid.

Os seis crimes de que é suspeito ocorreram entre 24 de Janeiro e 18 de Março deste ano. A primeira vítima deveria ter sido uma funcionária dos correios. A mulher andava na distribuição de correspondência num bairro madrileno (todas as mortes aconteceram em Madrid) e escapou porque o assassino considerou que não tinha condições para a matar e escapar. Alfredo Galán explicou à polícia que a escolheu-a ao acaso, porque tinha que começar por alguém, dizia, também na edição de ontem, o diário "El Mundo".

Um porteiro acabaria por tornar-se a primeria vítima e a única a cujos pés não foram encontradas cartas de baralho. Só junto das cinco vítimas seguintes o assassino deixou a sua assinatura. Não se sabe por que razão se entregou, na quinta-feira à tarde. Entrou na esquadra de Puertollano acompanhado de um dos cinco irmãos, estavam ambos embriagados.

Não se sabe também por que escolheu esta povoação vizinha de Madrid para se entregar - viveu lá mas, depois da morte da mãe, a família mudou para Ciudad Real. Mal soube da notícia, o pai acudiu à esquadra para saber do filho e, lá dentro, teve um ataque cardíaco. Encontra-se num hospital a recuperar.

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