Líder da distrital tinha reunião agendada com concelhia do PS

Francisco Assis agredido em Felgueiras

O dirigente socialista saiu de Felgueiras sob protecção da GNR
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O dirigente socialista saiu de Felgueiras sob protecção da GNR João Abreu Miranda/Lusa

O líder da distrital socialista do Porto, Francisco Assis, foi esta noite insultado e agredido à chegada à sede do partido em Felgueiras, tendo sido impedido de entrar no edifício, para onde estava agendado um encontro com os militantes socialistas locais.

Segundo os relatos feitos pelos jornalistas da Lusa e da SIC no local, os distúrbios começaram cerca das 22h00, com a chegada do líder distrital à sede concelhia do PS, onde o aguardavam algumas centenas de pessoas, a maioria das quais participantes na vigília de apoio a Fátima Felgueiras que decorria desde o final da tarde frente aos Paços do Concelho.

De acordo com os relatos, Assis foi impedido de entrar no edifício pela multidão que o insultou e agrediu com murros e pontapés.

O dirigente socialista foi obrigado a abandonar o local, mas vários dos indivíduos perseguiram-no por alguns quarteirões, adianta a jornalista da SIC no local, dando conta dos minutos de grande tensão que se viveram na zona.

Assis foi mesmo obrigado a refugiar-se num edifício vizinho, onde ficou retido durante cerca de 15 minutos, até à chegada ao local de efectivos da GNR, refere a mesma fonte. O dirigente socialista acabou por deixar Felgueiras num jipe daquela corporação, que abandonou o local a grande velocidade.

Assis deslocou-se a Felgueiras para uma reunião com os militantes locais, destinada a explicar os motivos que levaram a Federação Distrital (à imagem da direcção nacional do PS) a retirar a confiança política à vereação socialista que se encontra à frente da gestão camarária. A decisão foi tomada depois dos vereadores terem recusado pedir a demissão, o que permitiria a realização de eleições antecipadas no concelho, tal como tinha sido defendido pelo PS depois do Tribunal de Guimarães ter decretado a prisão preventiva de Fátima Felgueiras

Em declarações aos jornalistas ainda antes de abandonar Felgueiras, Assis afirmou que "tinha a obrigação moral" de se deslocar ao concelho para explicar as razões da decisão da distrital. "Ao estar aqui estou a prestar um serviço às instituições democráticas", afirmou o responsável socialista, acrescentando que voltará a Felgueiras "assim que estiverem criadas as condições" para se reunir com os militantes do partido.

Pouco depois, em declarações à TSF, Francisco Assis sublinhou que a distrital não vai recuar nas decisões já tomadas, considerando que a realização de eleições antecipadas "é o único caminho para garantir o respeito pelas instituições democráticas".

Apesar de minimizar o incidente e não querer atribuir responsabilidades pelo que aconteceu, o responsável socialista não deixou de enviar um recado: "Os principais responsáveis por esta situação de histeria colectiva são os que pela sua forma de intervir na política exacerbam as paixões primárias, apelando ao que de mais básico existe nos cidadãos".

Também em declarações à TSF, o porta-voz do PS, Paulo Pedroso, considerou estes incidentes "um acto de grande gravidade", tanto mais que o líder da distrital "estava numa missão que tem todo o apoio da direcção do PS e que visa dar novamente a palavra aos eleitores de Felgueiras".

Contactados por aquela rádio, nenhum dos responsáveis socialistas de Felgueiras quis comentar os incidentes. Em contrapartida, responsáveis das estruturas locais do PSD e do CDS-PP repudiaram os acontecimentos desta noite e manifestaram a sua solidariedade para com o dirigente socialista.