Metro e centros comerciais obrigam municípios da Margem Sul a alterar rede viária

A construção de dois centros comerciais e o início das obras do Metro Sul do Tejo está a obrigar os autarcas locais da Margem Sul a repensarem a rede viária intermunicipal. Depois de o concelho de Almada ter sofrido profundas alterações ao nível da circulação automóvel a partir da rotunda do centro-sul, por causa da construção do centro comercial Almada Fórum, os concelhos do Seixal e do Montijo poderão passar por modificações semelhantes nos próximos anos.Nos últimos dois anos foi criada em Almada uma nova rede viária com o objectivo de melhorar as acessibilidades ao centro comercial Almada Fórum e também a Lisboa. A partir da rotunda do centro-sul foram abertas vias que tornam mais fácil o acesso quer à Ponte 25 de Abril quer ao centro comercial, diminuindo as enormes filas de trânsito que se formavam no local. As obras ainda não estão totalmente concluídas: falta terminar a construção de dois túneis por debaixo da rotunda do centro-sul, que permitirão aos automobilistas seguir do Laranjeiro e Cova da Piedade para Lisboa e para a Costa da Caparica sem terem de circular pela rotunda. A conclusão dos túneis esteve prevista para o final do ano passado e depois para este mês, mas, devido "ao Inverno rigoroso" - segundo as explicações da Câmara de Almada -, só deverão abrir ao trânsito em Abril.No Montijo, a construção de mais um centro comercial, o Fórum Montijo - que deverá ser inaugurado em Abril - e a já efectuada transferência do do terminal fluvial da Transtejo do centro da cidade para o Cais do Seixalinho criaram novos cenários ao nível do tráfego interno no concelho. A principal via a ser construída é a Circular Exterior do Montijo (CEM), que abraçará todo o tecido urbano da cidade. Trata-se de uma via estruturante que ligará a zona industrial do Pau Queimado, junto ao Fórum Montijo, ao Cais do Seixalinho, numa extensão de sete quilómetros. Terá quatro faixas de rodagem. A CEM começou a ser pensada na altura da construção da Ponte Vasco da Gama, mas só este ano deverá conhecer desenvolvimentos no terreno. O concurso público foi lançado este mês e, segundo o vereador da autarquia Nuno Canta, está previsto que a obra comece até ao final do ano. Em 2005 deverá estar concluída. Quando o Fórum Montijo for inaugurado estes trabalhos ainda nem sequer terão tido início, mas o vereador explica que "não haverá problemas, pois o proprietário do centro comercial está a construir acessos que ligam a estradas já existentes".O Metro Sul do Tejo (MST) também está a preocupar autarcas e moradores dos concelhos do Seixal e de Almada. A conclusão da Estrada Regional (ER)10, que serviria de alternativa à congestionada Estrada Nacional 10, é vista como a solução para os problemas que as obras deste metropolitano de superfície poderão criar à circulação automóvel.A ER10 liga actualmente o concelho de Almada à freguesia de Corroios, no Seixal. Mas para se constituir numa alternativa à Estrada Nacional 10, onde vão decorrer as obras de construção da linha do metro, deverá ser prolongada até ao Fogueteiro, defende o presidente da Câmara do Seixal, Alfredo Monteiro. "Fizemos ver ao secretário de Estado das Obras Públicas que é fundamental a construção da ER10, para aliviar o tráfego da Estrada Nacional 10. A obra não avançou, o que vai significar que vamos ter enormes congestionamentos na circulação automóvel já a partir de Abril, quando as máquinas estiverem no terreno", observa o autarca.O vereador da Câmara do Barreiro Luís Pedro Cerqueira vai mais longe, e considera que a ER10 deve ser construída até ao seu concelho. "Seria criado um arco intermunicipal entre os concelhos da Moita, Barreiro e Seixal e ligaria duas zonas industriais em vias de reconversão, a Quimigal e a Siderurgia".Ma como a ER10 não ficará concluída até ao início das obras do metro, cujo início estava previsto para este mês, as alternativas para os automobilistas fugirem às obras que vão esventrar parte da Estrada Nacional 10 vão passar pelas vias secundárias. Por isso, as autarquias de Almada e do Seixal estão a elaborar um plano de mobilidade para ser colocado em prática durante os dois anos de obras de construção da linha do MST.Circular Regional Interna da Península de Setúbal não é para tão cedoA Circular Regional Interna da Península de Setúbal (CRIPS), projectada para ligar o Funchalinho, no concelho de Almada a Coina, no Barreiro, é vista pelos autarcas como a solução para a maior parte dos problemas de mobilidade intermunicipal no distrito de Setúbal, mas o processo destinado à sua construção arrasta-se há cerca de 20 anos.O Instituto das Estradas de Portugal (IEP) diz que o estudo prévio "está em fase de conclusão, prevendo-se a sua entrega no decorrer deste mês". O documento será depois apreciado e entregue ao Ministério do Ambiente para ser alvo de uma "avaliação de impacte ambiental". Ou seja, a única data avançada pelo IEP é a da conclusão do estudo prévio, não havendo qualquer previsão para o início dos trabalhos no terreno.A CRIPS criará um anel viário na Península de Setúbal entre o nó do Funchalinho, junto ao IC20 (via rápida da Caparica) e Coina, no concelho do Barreiro, onde entroncará no Itinerário Complementar 13, com ligação à Ponte Vasco da Gama, resolvendo não só as ligações entre os concelhos da Margem Sul mas também a mobilidade em direcção a Lisboa. L.B."Vamos ter enormes congestionamentos na circulação automóvel já a partir de Abril, quando as máquinas [das obras do metro] estiverem no terreno"Alfredo MonteiroPresidente da Câmara do Seixal