Companhia lisboeta em risco

Teatro Maizum promove acção de protesto contra falta de apoio

O Teatro Maizum vai fazer uma acção de protesto na Praça Luís de Camões, no sábado, para denunciar a falta de apoio ao projecto e a "ausência de uma política cultural" no país.

Os responsáveis pela companhia concorreram a um apoio anual com três projectos aos concursos do Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) para 2003, mas apesar de terem recebido nota positiva do júri, ficaram excluídos, explicou à Agência Lusa Silvina Pereira.

Há três anos consecutivos que a Maizum não recebe apoios do Ministério da Cultura (MC), situação que considera "escandalosa" e que representa uma "execução sumária" do grupo teatral.
"É profundamente injusto que haja beneficiários de primeira, de segunda e outros de coisa nenhuma, cronicamente postos de lado", considera a responsável por um grupo criado há mais de vinte anos que se tem dedicado a divulgar obras fundamentais da cultura portuguesa, nomeadamente de Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Gil Vicente, entre outros autores.

Para este ano, o Teatro Maizum previa levar aos palcos as peças "Gil Vicente em Bruxelas", espectáculo feito a partir de um guião original criado em torno do desaparecimento de um Auto de Gil Vicente, "Azazel", de José Augusto França, e "Cismena, Botão de Açucena", de António Torrado.

Parafraseando Eça de Queiroz, a companhia conclui, ao fim de 24 peças de autores portugueses representadas, que "a política cultural em Portugal é uma canalhice pública".
Destas produções, o IPAE apenas apoiou cinco, com um total de 67.500 euros, tendo várias outras ficado por interpretar por falta de apoio do MC: "A maioria do trabalho tem sido feita com o recurso a fontes alternativas de financiamento, que nunca são certas", comentou Silvina Pereira.

Para a acção de protesto de sábado, os actores e actrizes do Maizum vão interpretar Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Padre António Vieira, Gil Vicente, António José Saraiva, Luís de Camões, entre outros, e proferir textos dos próprios autores para denunciar "a aberração mental da política cultural em Portugal".

Relativamente aos concursos do IPAE, Silvina Pereira revelou que a companhia vai recorrer da decisão do júri em audiência prévia, já que os resultados que os artistas receberam recentemente sobre os apoios, são provisórios.
Lúcia Sigalho e Rui Cerveira, que também viram negados apoios aos seus projectos de teatro para 2003, respectivamente em Lisboa e em Almada, são alguns dos artistas que admitiram à Lusa recentemente a intenção de recorrer das decisões do júri do IPAE.