Catástrofe ecológica com o petroleiro

Submarino "Nautile" vai tentar tapar fissuras do "Prestige"

A popa e a proa estão distanciadas cerca de quatro mil metros no fundo do mar
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A popa e a proa estão distanciadas cerca de quatro mil metros no fundo do mar AP

O submarino francês "Nautile" vai tentar tapar as fissuras do casco do petroleiro "Prestige", por onde saem diariamente cerca de 120 toneladas de fuel-óleo, anunciou hoje em Madrid a comissão científica que acompanha a situação do navio acidentado.

O Governo espanhol decidiu encarregar a empresa proprietária do "Nautile" dessa tarefa, classificada como "urgente".

Este trabalho, que deverá começar ainda hoje e está programado ficar concluído até ao dia 20 de Janeiro, custará ao Governo espanhol 1,2 milhões de euros.

Mas a evolução do trabalho dependerá muito das condições meteorológicas, pelo que é ainda difícil apontar uma data para a sua conclusão, de acordo com o presidente da comissão científica, Emilio Lora-Tamayo.

O submarimo "Nautile" encontra-se ainda em Vigo, depois de ter sido contratado pelo Governo espanhol para investigar as condições do casco do petroleiro, logo após o afundamento.

A comissão científica, que integra especialistas portugueses, foi criada na semana passada e propôs agora esta solução, considerada inédita, sobretudo a uma tão grande profundidade.

Com cerca de 50 mil toneladas de fuel-óleo nos seus tanques, apesar de não existirem cálculos oficiais, o "Prestige" já chegou a ser descrito como "bomba-relógio" no fundo do mar.

O "Prestige" encontra-se afundado a cerca de 260 quilómetros do cabo Finisterra e a 3500 metros de profundidade.

A popa e a proa estão distanciadas cerca de quatro mil metros e, de acordo com as investigações realizadas pelo "Nautile", nas sete imersões que o submarino realizou até agora, o petroleiro apresenta 14 fissuras, embora o jornal "La Voz de Galicia" tenha informado recentemente que já são 18.

Na semana passada, o "Nautile" já tapou uma das fissuras, com a colocação de uma chapa de alumínio com aproximadamente 50 quilos.

A comissão científica estudou ainda outras opções: construir com cimento uma espécie de sarcófago à volta das duas partes do navio; extrair o fuel; ou, ainda, lançar um míssil para fazer explodir os tanques do petroleiro e recolher o fuel à superfície.

Entretanto, as praias da costa galega voltaram a aparecer hoje inundadas de fuel-óleo, com a terceira vaga da maré negra.