Crítica

O melhor filme do ano

E com o Natal chega o melhor filme do ano, o regresso de Abel Ferrara aos tempos de glória, de "Bad Lieutenant" ou "King of New York".

Desta vez trata-se de um perverso conto de Natal, com remissões irónicas para os anjos e outros aparatos míticos de filmes com "Do Céu Caíu uma Estrela". De uma estranha estrutura quase onírica, usando com rigor a costumeira iconografia de um catolicismo "kitsch" de importação pelas Américas, Ferrara consegue o milagre de construir personagens credíveis e comoventes, apesar do tom caricatural que parece invadir tudo. Do filme de "gangsters" guarda sinais, do melodrama um tom surdo e incómodo de excessos não controlados. O resultado é deslumbrante: um grande filme "doente" e redentor em simultâneo.