Linha do Vouga: Refer garante que os acidentes não têm a ver com o estado da via

A Rede Ferroviária Nacional (Refer) garante que os incidentes, sobretudo descarrilamentos, que nos últimos tempos se têm verificado na Linha do Vouga, não se prendem com o estado da ferrovia, mas sim com elementos externos. Segundo Susana Abrantes, do gabinete de Comunicação e Imagem da Refer, "o que se tem passado não tem nada a ver com as infra-estruturas" utilizadas pela empresa ferroviária. A questão prende-se, portanto, com "problemas rodoviários" que, algumas vezes, têm impedido os comboios de seguirem o seu percurso normal.Muito embora a Linha do Vouga não esteja numa fase de modernização, no que diz respeito às suas estruturas, Susana Abrantes assegura que, na "grande maioria", os incidentes que se têm registado devem-se a "deficiências externas". A responsável garante, no entanto, que este tipo de incidentes - os descarrilamentos - "não são uma situação frequente", na Linha do Vouga e nas restantes. Para o presidente da Junta de Freguesia de Rio Meão, Santa Maria da Feira, Ângelo Castro, os acidentes na linha ficam a dever-se à "má sinalização nas ruas que dão acesso às passagens de nível". O autarca sublinha, a este propósito, que "não se justifica que, no século XXI, ainda existam passagens sem guarda". Exemplos não lhe faltam. Em Rio Meão, numa das ruas mais movimentadas e "em apenas 500 metros, o Vouguinha passa três vezes - por duas passagens de nível sem guarda e uma com guarda". "Aqui, o Vouguinha faz muitas curvas", comenta. Para além disso, Ângelo Castro diz que num dos acessos a uma passagem de nível sem guarda "as pessoas correm o risco de ser colhidas porque a visibilidade é bastante reduzida". Na opinião do autarca, uma das soluções passa por eliminar as passagens de nível colocando-se, em alternativa, vias superiores ou inferiores, mas nunca fechando a Linha do Vale do Vouga. "O estado da ferrovia não deve estar mal porque o comboio continua a andar", refere. Âneglo Castro recorda que, há cerca de dois anos, "uns dos maiores ciclistas nacionais, Fernando Mendes, perdeu a vida numa passagem de nível sem guarda aqui na freguesia". Um trabalho "lento"Para o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Ápio Assunção, o trabalho que a Refer está a realizar, no sentido de suprimir algumas passagens de nível na Linha do Vouga, é um bom passo para se evitar futuros acidentes. Eliminam-se algumas passagens e criam-se vias paralelas onde os veículos automóveis possam circular. Para além disso perspectiva-se, conta, a "melhoria da via e do material circulante". No entanto, o autarca afirma que essa intervenção está a ser feita de "uma forma muito lenta". Por outro lado, Ápio Assunção defende que a sinalização ferroviária deveria acompanhar os novos tempos, já que o número de carros nas ruas aumentou consideravelmente. "A sinalização que temos hoje é a que tínhamos há muitos anos", aponta. O vereador responsável pela Protecção Civil da Câmara de Santa Maria da Feira, Delfim Silva, refere que, "em termos ferroviários, ainda estamos no século passado". O vereador considera que o crescimento viário, que se tem verificado nos últimos anos, não é acompanhado pelo desenvolvimento ferroviário. É aqui, refere, que se encontra o "busílis da questão". Daí que, na sua opinião, uma das soluções para evitar o número de acidentes na ferrovia esteja na colocação de passagens automáticas ou, então, na colocação de vias superiores ou inferiores nas passagens de nível. Isto para que os veículos não tenham de esperar pela chegada do comboio e para que não haja a possibilidade de haver embates, que de vez em quando acontecem na Linha do Vouga. A verdade é que, ainda no início desta semana, uma automotora, que fazia a ligação entre Aveiro e Águeda, descarrilou ao embater num camião que se encontrava na ferrovia. O incidente acabou por provocar ferimentos ligeiros em cinco pessoas que receberam tratamento no Hospital de Aveiro, obtendo alta hospitalar no mesmo dia. Na verdade, o descarrilamento aconteceu quando a composição, que transportava cerca de 80 pessoas, chocou com um veículo pesado que terá tombado para a linha, precisamente em Azurva, a cinco quilómetros de Aveiro.