Finalmente a Liga de andebol

Após meses de indefinições, avanços e muitos recuos, a primeira edição do campeonato da Liga Portuguesa de Andebol arranca esta noite com a realização do Olivais e Moscavide-Águas Santas (21 horas). Ao reclamar o estatuto de profissional, a Liga conseguiu, enfim, garantir a organização do campeonato principal de clubes, mas só ao fim de vários impasses que chegaram a parecer insolúveis e que atrasaram o início da prova em cerca de dois meses. Este será, contudo, um campeonato de transição, uma vez que o acordo entre Liga e Federação de Andebol de Portugal (FAP) é apenas parcial, faltando ainda concluir o processo de reconhecimento do carácter profissional da modalidade. A polémica só foi travada pela intervenção directa do secretário de Estado da Juventude e Desporto, Hermínio Loureiro, que foi importante para a assinatura de um protocolo provisório, mas numa fase em que já se temia pelo futuro do Campeonato do Mundo de 2003, que Portugal organizará entre Janeiro e Fevereiro. A situação foi resolvida, provisoriamente, com a cedência dos jogadores dos clubes às selecções e o início do campeonato organizado pela Liga. Para trás, pelo menos até Março, altura em que as duas entidades voltam a reunir, ficaram, então, as trocas de acusações. Os favoritos do costumeAs mudanças estruturais não têm, no entanto, sequência a nível competitivo, no qual se repete o formato da prova assim como os naturais candidatos ao título, o campeão FC Porto, ABC, Sporting e Águas Santas. O conjunto portista continua sob o comando do jugoslavo Branislav Pokrajak e operou apenas mínimos reajustamentos. No ABC também pouco mudou, mas ainda assim merecem destaque as saídas de Paulo Faria e Humberto Gomes e as entradas de Telmo Ferreira e Miguel Póvoas. O Sporting, por seu lado, apesar da perda do promissor David Graça, reforçou-se muito bem com José Coin e Goran Jerkovic, uma das revelações do último campeonato. O Águas Santas quer seguir com o processo de afirmação que o fez conquistar a Taça na época transacta e para isso contratou Paulo Faria.A primeira fase contará com as 12 equipas, que se defrontarão entre si a duas voltas, ficando no final definidos os oito clubes que vão rumar aos "play-off", enquanto os quatro últimos disputarão o grupo B, que definirá as descidas de Divisão.Deste último grupo estará afastado, seguramente, o FC Porto, cujo jogador mais emblemático, Carlos Resende, destaca a importância de garantir o primeiro lugar na fase regular. "Desde que existe o 'play-off', a equipa que venceu a primeira fase foi campeã. Por isso, é essencial não falhar nos jogos com as equipas que não são candidatas, mas que podem surpreender". O lateral-esquerdo portista encara a nova competição como uma oportunidade para iniciar uma nova era no andebol português. "Este é um ano de excepção no andebol nacional, também pela realização do Mundial, e era importante aproveitar isso para continuar com a subida sustentada da modalidade".Victor Tchikoulaev, central do ABC, lembra que se perdeu "muito tempo" com polémicas, garantindo, contudo, que não será pela condição física que a qualidade dos jogos diminuirá. "Se vai haver alguma coisa negativa será apenas devido à parte psicológica, porque, mesmo sem jogar, continuamos a treinar e fizemos muitos torneios".José Tomaz, treinador do Sporting, fala da dificuldade em fazer prognósticos nesta fase inicial, mas avisa para a qualidade de algumas das equipas que não são consideradas candidatas: "Estamos longe do fim, mas penso que há várias equipas, casos de Belenenses, Setúbal ou Madeira SAD, que têm condições para interferir. Muito mais quando o campeonato é disputado em sistema de 'play-off'."